Fórum de Governadores da Amazônia Legal Reúne Lideranças para Ações Sustentáveis
No dia 17 de março, o 29º Fórum de Governadores da Amazônia Legal reuniu líderes estaduais para uma agenda focada em decisões voltadas ao desenvolvimento sustentável. O evento, realizado no Hotel Blue Tree Premium em São Luís, incluiu a 2ª Assembleia Geral do Consórcio da Amazônia Legal (CAL) e uma coletiva de imprensa, onde foram destacadas as principais iniciativas discutidas durante o encontro.
Entre os principais anúncios, chamou atenção a criação do Fórum de Turismo da Amazônia e as entregas das câmaras setoriais, que apresentaram projetos importantes como a regularização fundiária regional, a posição unificada para o Plano Safra 2026/2027 e o apoio à criação da Universidade Federal Indígena. Além disso, ações voltadas para o enfrentamento de crimes ambientais foram priorizadas.
Aos participantes, o governador Carlos Brandão ressaltou a continuidade dos trabalhos iniciados pelo ex-presidente do Consórcio, Helder Barbalho, e a implementação de novas propostas. “Estamos introduzindo um Plano de Ecoturismo e uma Câmara Temática, visando explorar a região de forma sustentável. Cada reunião traz resultados que aprimoram a gestão em áreas como segurança, educação, saúde e agricultura familiar”, afirmou Brandão.
Acordos e Parcerias para Sustentabilidade
O Fórum também resultou em acordos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), garantindo apoio financeiro ao Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma). Este investimento de mais de R$ 52 milhões, proveniente do Fundo Amazônia, visa fortalecer a regularização fundiária em 85 municípios da Amazônia Legal, consolidando o Programa Paz no Campo.
Além disso, foi assinado o contrato operacional do Projeto de Restauração do Programa Floresta Viva, em cooperação com a Mercuria. O lançamento do Plano de Transformação Ecológica da Amazônia e as medidas de prevenção a incêndios florestais também foram destacados, com um edital de kits em parceria com a ONU Brasil e a iniciativa privada.
Sylvia Rucks, coordenadora residente da ONU no Brasil, que participou do evento pela última vez, fez um balanço das parcerias estabelecidas. Ela elogiou o projeto ‘Terra para Elas’, que busca transformar realidades na Amazônia e além. “Colocando as pessoas no centro das propostas, conseguimos fazer a diferença na vida das comunidades”, destacou Rucks.
Carta de São Luís e Compromissos Firmados
Um dos momentos mais simbólicos do Fórum foi a leitura e assinatura da Carta de São Luís, que reúne os compromissos assumidos pelos estados da região. O documento estabelece a atuação conjunta como uma estratégia de governança e destaca a bioeconomia como eixo central de desenvolvimento, reafirmando diretrizes como a Estratégia Amazônia 2050 e o Plano de Transformação Ecológica.
A Carta também define prioridades para o próximo ciclo, que incluem a regularização fundiária, melhorias na infraestrutura e logística, além do combate ao desmatamento. O apoio à agenda indígena, por meio do Projeto Ybirá, e o fortalecimento da segurança pública são aspectos que recebem atenção especial no documento.
Melina Risso, diretora de Pesquisa do Instituto Igarapé e homenageada com a placa Amigo da Amazônia, defendeu a urgência de incluir os crimes ambientais na agenda do Consórcio da Amazônia Legal. Segundo ela, esses crimes, hoje considerados uma das maiores economias ilícitas do mundo, requerem um combate firme e eficaz.
A Importância das Parcerias Internacionais
O embaixador da Noruega, Kjetil Elsebutangen, enfatizou a necessidade de parcerias internacionais na proteção da floresta. Ele destacou que a Noruega está comprometida em apoiar iniciativas comprovadas, como o Fundo Amazônia, e ressaltou a importância de criar oportunidades econômicas sustentáveis para as comunidades amazônicas.
O encerramento do Fórum, que se estendeu por dois dias intensos de articulação política, reforçou o papel central do Maranhão na Amazônia Legal. Com 181 dos seus 217 municípios na região, o estado possui uma grande responsabilidade na proteção ambiental e social.
De acordo com Vanessa Duarte, secretária executiva do Consórcio da Amazônia Legal, a proposta é apostar em um modelo sustentável que respeite as comunidades tradicionais, gerando oportunidades econômicas por meio de iniciativas de captação de recursos. “Os governadores entendem a importância de uma narrativa única sobre a Amazônia, e o Consórcio é a ferramenta institucional que representa essa luta”, concluiu.
