Aumento de Casos de SRAG nas Regiões Brasileiras
Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) relacionados ao vírus influenza A estão em ascensão nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil. Essa informação foi divulgada nesta quinta-feira (26) no mais recente Boletim InfoGripe, produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). As autoridades de saúde destacam a necessidade de atenção redobrada, especialmente em meio a um quadro que já apresenta números preocupantes.
Entre os estados que reportaram um aumento significativo de casos, destacam-se Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Bahia, Amapá, Rondônia, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso, que também integra a região Centro-Oeste. Em contrapartida, no Pará, Ceará e Pernambuco, surgem indícios de que o crescimento da SRAG associada à influenza A está começando a desacelerar.
Importância da Vacinação e Proteção Individual
A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, enfatiza a importância da vacinação, especialmente para grupos prioritários, como idosos, pessoas com imunossupressão e crianças. “É essencial que a população busque se vacinar para se proteger, principalmente em tempos de surto”, alerta.
Além da vacinação, os moradores em áreas com alta incidência de SRAG são aconselhados a usar máscaras de qualidade em ambientes fechados e em situações de aglomeração, especialmente se apresentarem sintomas gripais. Essas medidas são fundamentais para conter a propagação do vírus e proteger os mais vulneráveis.
Campanha de Vacinação Contra a Gripe Começa em Breve
A campanha de vacinação contra a gripe está programada para iniciar neste sábado (28) nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. O Dia D de mobilização ocorrerá na mesma data, visando ampliar a cobertura vacinal antes do pico de contaminações, que costuma ocorrer durante o inverno.
A vacina, disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), oferece proteção contra os principais vírus em circulação, incluindo os tipos A (H1N1 e H3N2) e B do influenza. A vacinação é especialmente recomendada para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e indivíduos com 60 anos ou mais. Outros grupos prioritários incluem:
- Puérperas (até 45 dias após o parto);
- Trabalhadores da saúde e da educação;
- Povos indígenas e quilombolas;
- Pessoas em situação de rua;
- Indivíduos com comorbidades ou deficiências permanentes;
- Caminhoneiros e trabalhadores do transporte coletivo;
- Trabalhadores portuários e dos correios;
- Profissionais das forças de segurança e armadas;
- População privada de liberdade;
- Jovens em medidas socioeducativas.
Casos de SRAG em Nível Nacional
O Boletim InfoGripe também revela que a incidência de SRAG está em alta em todo o país. Esta situação é corroborada pelo aumento de hospitalizações motivadas por influenza A, rinovírus e o vírus sincicial respiratório (VSR). Atualmente, 22 estados apresentam níveis de atividade de SRAG classificados como alerta, risco ou alto risco. Entre esses, encontram-se Rio de Janeiro, Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Sergipe, Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo.
A análise também mostra que o rinovírus tem sido responsável pelo aumento de casos de SRAG, especialmente entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, reforçando a necessidade de ações preventivas nessa faixa etária.
Prevalência dos Vírus em Circulação
A distribuição dos vírus entre os casos positivos de SRAG nos últimos quatro meses epidemiológicos é a seguinte: 27,8% referentes ao influenza A, 1,4% ao influenza B, 14,6% ao VSR, 45% ao rinovírus e 9,1% ao Sars-CoV-2 (Covid-19). Quanto aos óbitos registrados, a presença dos agentes foi identificada da seguinte forma: 35,9% de influenza A, 2,9% de influenza B, 5,8% de VSR, 27,2% de rinovírus e 29,1% de Sars-CoV-2.
Os dados utilizados no levantamento do InfoGripe foram atualizados até 21 de março e referem-se à Semana Epidemiológica (SE) 11, destacando a necessidade de atenção contínua diante do avanço desses vírus e a importância de medidas de prevenção eficazes.
