Uma Nova Era para o Paradesporto
O Brasil já demonstrou sua força no paradesporto, consolidando-se como uma das grandes potências mundiais. Com destaque nas últimas edições dos Jogos Paralímpicos, especialmente em Milão-Cortina 2026, o país não só quebrou recordes, mas também revelou novos talentos a cada ciclo. No entanto, enquanto o alto rendimento avança, ainda enfrentamos o desafio de consolidar o esporte como uma ferramenta eficaz de reabilitação. Essa realidade evidencia a necessidade de uma política pública estruturada, que promova um planejamento e uma ação coordenada.
É fundamental integrar o esporte nos Centros Especializados em Reabilitação (CERs) do SUS, estabelecendo uma conexão permanente com as entidades que promovem a prática paradesportiva. O objetivo vai além da formação de atletas de elite; é imprescindível assegurar o direito básico ao esporte como um meio de saúde, autonomia e cidadania.
Com esse compromisso em mente, o Ministério do Esporte deu um passo significativo, lançando recentemente o Programa Vencer pelo Esporte. Este programa visa estruturar uma política pública voltada para a integração do cuidado, inclusão e desenvolvimento esportivo. O acordo firmado entre o Ministério do Esporte e o Ministério da Educação (MEC), através do Instituto Santos Dumont, representa um avanço na inserção do esporte na Rede de Cuidados da Pessoa com Deficiência do SUS. Essa integração entre Saúde, Educação e Esporte marca uma mudança de paradigma.
A Infraestrutura e a Oportunidade à Frente
Atualmente, o Brasil conta com 342 Centros Especializados de Reabilitação, espalhados por todas as regiões do país, formando uma infraestrutura robusta. Entretanto, apenas aproximadamente 12% dessas unidades utilizam o esporte de maneira estruturada. Este dado evidencia não apenas uma grande oportunidade, mas também a urgência em agir. O Acordo de Cooperação Técnica firmado entre os Ministérios do Esporte e da Saúde visa fortalecer o cuidado intersetorial, ampliando o uso do esporte e da atividade física na reabilitação, especialmente para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A nova iniciativa inclui a formação de profissionais, a produção de conhecimento, a definição de indicadores e o apoio a programas já existentes em todo o Brasil. Assim, Esporte, Saúde e Educação começam a atuar em conjunto, com o Instituto Santos Dumont permanecendo como o centro de formação, inovação e acompanhamento.
O Impacto do Esporte na Reabilitação
Com a inclusão do esporte na reabilitação, não estamos apenas buscando transformar indicadores de saúde; estamos realmente mudando vidas, ampliando horizontes e alterando a percepção da sociedade em relação à pessoa com deficiência. É assim que visualizamos o Brasil: um país que reconhece o esporte como uma ferramenta fundamental para inclusão, dignidade e oportunidades. Temos as condições necessárias para dar esse salto significativo. E este é apenas o começo. Para nós, o esporte no Brasil não representa apenas competições, mas também novos começos e recomeços.
