Demora no Atendimento em Hospital da Criança em São Luís é Apontada como Causa da Morte de Bebê com Bronquiolite
A situação foi trazida à tona por Luana Quiaro, uma mãe que, em um vídeo impactante publicado nas redes sociais no último sábado (18), denunciou a demora no atendimento que sua filha enfrentou no Hospital da Criança em São Luís. A criança, que lutava contra bronquiolite, não sobreviveu, e o depoimento de Luana rapidamente ganhou repercussão na internet.
Luana, residente em Bacabal, localizada a 250 km da capital maranhense, relatou que sua filha recebeu cuidados iniciais em sua cidade, onde, segundo ela, a assistência foi adequada. “Se o seu bebê apresentar tosse, não fique em casa. Não pense que é algo simples. Minha filha foi tratada desde o início, mas ainda assim não conseguimos evitar o que aconteceu. Durante sua estadia em Bacabal, o atendimento foi sempre eficiente. No entanto, não entendo por que não há uma UTI ou recursos mais avançados disponíveis. A assistência aqui nunca faltou”, desabafou.
Após a orientação médica indicando que a criança necessitava de cuidados mais complexos, Luana foi orientada a levar sua filha para São Luís. Contudo, a mãe acredita que essa decisão teve consequências trágicas. “A pior decisão da minha vida foi transferi-la para lá, pois disseram que era o melhor. Informaram que ela poderia até melhorar, mas se não fosse tratada, seu estado só iria piorar. Disseram que o tempo era precioso e que ela poderia ser atendida rapidamente. Na minha opinião, o Hospital da Criança em São Luís é o pior”, lamentou Luana.
Em resposta ao G1, a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) esclareceu que a criança chegou à rede municipal em estado grave, com bronquiolite, e que recebeu atendimento imediato, mas infelizmente não resistiu ao agravamento do quadro.
Luana criticou também o tempo de espera pelo atendimento. Quando a filha chegou ao hospital no dia 12 de abril, ela alega que a equipe médica não a atendeu de imediato, fazendo com que a criança ficasse em uma sala lotada, juntamente com aproximadamente 40 pacientes. Segundo a mãe, a pequena só foi medicada cerca de cinco horas depois da chegada. “Não estou dizendo que minha filha era mais importante que as outras, mas bronquiolite é uma condição séria. Cada minuto conta. Chegamos antes das 18h e só conseguimos a medicação e a hidratação muito tempo depois. A bebê estava desidratada, com pele descascando. A hidratação só foi iniciada por volta das 22h. Perderam muito tempo com ela”, explicou.
A angústia de Luana aumentou conforme as horas passavam sem que sua filha recebesse o atendimento necessário. “Imagine a aflição de estar com seu bebê no colo, vendo médicos e enfermeiros passarem e ninguém olhar para a sua filha. Foi desesperador. Eu percebia a respiração dela mudando. Os olhinhos estavam começando a fechar”, compartilhou.
Com a deterioração rápida da condição da criança, foi necessário realizar a intubação. Luana relatou que os médicos a informaram sobre a possibilidade de entubação, e então a equipe decidiu agir. “Disseram que precisavam entubar imediatamente, pois ela estava prestes a entrar em choque. Minha filha foi furada várias vezes. Foi muito sofrimento”, contou. Mesmo após a indicação de internação em UTI, a transferência demorou, e Luana se sentia impotente ao observar a frequência cardíaca da filha em declínio. “Era como se eu estivesse vendo minha filha morrer diante dos meus olhos”, lamentou.
Após um procedimento cirúrgico que revelou ar no pulmão, a bebê não resistiu e faleceu no dia 14 de abril. “Ela chegou ao hospital apenas com bronquiolite. Não havia pneumonia ou outras complicações. Eles vacilaram com a vida da minha filha. Todos sabem que bronquiolite requer urgência. Não deveria ter ficado jogada em uma sala, sem medicação, sem soro, sem cuidados”, ressaltou Luana.
Luana também expressou sua dor ao relatar que a filha faleceu poucas horas após a cirurgia. “Ela não durou nem 12 horas depois do procedimento. Às 5h da manhã, fui informada sobre sua morte. Desde então, não tenho paz. Foram apenas quatro meses juntas, muito pouco para todo amor que sinto por ela. Agora, preciso lidar com meu filho de dois anos perguntando por sua irmã”, compartilhou, com lágrimas nos olhos.
Por fim, Luana agradeceu a todos que ofereceram apoio e fez um apelo por justiça. “Minha filha partiu, mas sei que a sua história irá salvar muitas vidas, pois várias pessoas doaram sangue por ela. Sou grata àqueles que oraram e ajudaram. Mas quero justiça. O que aconteceu não pode se repetir com outras mães”, concluiu.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) reiterou que a criança deu entrada na rede municipal em estado grave, apresentando sintomas compatíveis com bronquiolite, e que recebeu atendimento imediato, mas seu quadro evoluiu de forma crítica, resultando em óbito. Abaixo, você pode ler a nota na íntegra.
