Reajustes Preocupantes nos Contratos Coletivos
Os custos dos planos de saúde coletivos destinados a empresas devem apresentar uma correção média entre 9% e 10% este ano, conforme estimativas de analistas do setor. Essa taxa, embora menor em comparação com o ano anterior, ainda representa o dobro da inflação prevista para 2026, que é estimada em 4,80% pelo último Boletim Focus, do Banco Central. No ano passado, o aumento médio nos contratos coletivos foi de 11%, gerando preocupação entre os empregadores e seus colaboradores.
A cobrança por parte das operadoras de saúde está diretamente ligada ao aumento de custos com serviços médicos e à inflação médica, que supera o índice geral de preços no Brasil. Este fenômeno ocorre devido à variação nos preços de medicamentos, equipamentos hospitalares e a introdução de novas tecnologias no setor. Também são levados em consideração os níveis de utilização dos serviços pelos beneficiários, o que influencia diretamente nas despesas das operadoras.
Lucros em Alta Apesar dos Reajustes
No último ano, as operadoras de saúde conseguiram um lucro operacional significativo de R$ 24,4 bilhões, representando um crescimento de 120% em relação ao ano anterior. Este aumento nos lucros deve-se, em parte, aos reajustes realizados nos contratos, que foram superiores ao crescimento das despesas assistenciais. Para os contratos coletivos, que não têm um teto de aumento imposto pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), os reajustes chegaram a ser de até 40% em anos anteriores.
Para 2026, a expectativa de reajuste nos planos coletivos, conforme dados da Mercer Marsh Benefícios, é de cerca de 9%. Essa previsão é apoiada por uma inflação médica de 9,1% na carteira da consultoria, além de uma sinistralidade de 78,4%. Essas taxas são consideradas mais controladas em comparação com os anos anteriores, o que sinaliza um caminho mais otimista para os segurados.
Medidas para Contenção de Custos
A redução na inflação médica tem sido atribuída a um controle mais rigoroso por parte das operadoras em relação a fraudes e a melhores negociações com prestadores de serviços. Marcelo Borges, diretor executivo da Mercer, enfatiza que esses ajustes têm possibilitado negociações mais flexíveis entre operadoras e empresas contratantes. Além disso, medidas rigorosas como a cobrança de coparticipação e restrições em reembolsos têm sido adotadas para conter os custos operacionais.
Dados da ANS mostram que a proporção de contratos coletivos com coparticipação aumentou de 53,3% em 2020 para 59,1% em 2024. Isso indica uma tendência de mudança nos hábitos dos beneficiários, que agora são incentivados a buscar médicos da rede credenciada e a evitar consultas desnecessárias, especialmente em emergências, por conta dos custos adicionais.
Desafios e Expectativas Futuras
Apesar das melhorias observadas, o presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), Gustavo Ribeiro, alerta para a necessidade de cautela. Embora os resultados financeiros do setor tenham se estabilizado desde 2023, muitos pequenos e médios operadores ainda enfrentam dificuldades, com 45% reportando resultados negativos. Ribeiro destaca que, embora a tendência seja positiva, é crucial garantir a sustentabilidade a longo prazo.
Com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabeleceu regras mais rigorosas para a cobertura de tratamentos fora do rol da ANS, espera-se uma diminuição na judicialização dos planos de saúde. Isso pode resultar em um impacto menor nos reajustes futuros, mas ainda é cedo para prever a extensão dessas mudanças.
Concluindo, as operadoras de saúde e os beneficiários navegam por um cenário complexo, onde a contenção de custos e a qualidade dos serviços precisam ser balanceadas. Diante de um aumento substancial nos preços dos planos, a adaptação e a busca por alternativas mais viáveis serão essenciais para garantir um atendimento de qualidade e acessível a todos.
