Uma Celebração da Cultura e Ancestralidade
De 6 a 9 de maio, São Luís e São José de Ribamar, no Maranhão, serão o palco da V Mostra ‘Aquilombando Cenas – I Teia de Encantar Histórias Negras e Indígenas’. O evento vai reunir uma diversidade de artistas negros e indígenas em uma programação gratuita voltada para as artes cênicas.
O projeto, que foi criado em 2020, chega à sua quinta edição ampliando sua atuação e, desta vez, promove o primeiro encontro de contadores de histórias negros e indígenas no estado. Com atividades programadas para diversos espaços da capital, como o Centro Histórico, escolas públicas, e até o território indígena Tremembé, a mostra busca fortalecer a conexão entre arte, memória e ancestralidade.
A abertura da programação será marcada por uma série de oficinas. Nos dias 6 e 7 de maio, os participantes poderão se aprofundar na oficina “Escrita e Interpretação em SLAM”, conduzida por Brena Maria, no PEADS, localizado no bairro Sacavém, das 9h às 11h. Já no dia 7, a agenda continua com a oficina “Práticas de Alembramento”, ministrada por Tiyê Macau, das 9h às 12h, na Tapete Criações Cênicas.
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Pela manhã do dia 7, o Liceu Ribamarense será palco de contações de histórias, incluindo “No Tempo das Malocas – Mitos Anapururetama”, de Lucca Anapuru, e “Crow Jaren Xà – História do Buriti”, de Dermival Canela, programadas para às 10h. No período da tarde, às 16h, o rito de abertura acontece no Chão SLZ, seguido da apresentação do espetáculo “Ané das Pedras”, do Coletivo Flecha Lançada Arte, no Centro Histórico, às 16h30. Para encerrar o dia, o PEADS receberá, às 19h, a contação “Quatro Mestres”, de Urias de Oliveira, além de cenas curtas como “Canto Maresia”, de Brena Maria, e “Palavra Não Dita”, de Aline Coutinho.
Atividades no Território Indígena Tremembé
No dia 8 de maio, as atividades se deslocam para o território indígena Tremembé, onde contos tradicionais, o ritual Toré e a performance “Ané das Pedras” serão apresentados em três momentos ao longo da tarde, entre 15h e 17h. À noite, a partir das 19h, o Xama Teatro receberá uma sessão de cenas curtas que incluirá trabalhos como “Grafar no Tempo a Memória do Amanhã”, de Abeju Ara, “Abayomi”, de Ayanna Monteiro, Jennifer Froes e Katryne Furtado, e “Língua de Boi”, da Cia Maranhense.
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O dia 9 de maio será o encerramento da mostra. A programação matutina contará com a oficina “Escutar as Pedras – a performatividade da memória na cena”, ministrada por Bárbara Kariri, das 9h às 13h, no CACEM. A partir das 17h, uma feirinha de produtos locais será realizada no Xama Teatro. O evento chega ao seu fim com a palestra-performance “NIÑ(H)O ou Uma Casa Provisória para o Nascimento do Invisível”, de Tiyê Macau, marcada para às 19h, também no Xama Teatro.
André Lobão, produtor cultural, destaca a importância da mostra: “A ação se reafirma como uma manifestação cultural com forte dimensão política no Brasil contemporâneo. Em um estado como o Maranhão, onde a maioria da população é negra e há uma significativa presença indígena, este projeto revela uma contradição histórica: essas populações continuam sub-representadas nos espaços de criação e circulação das artes cênicas.”
