Momento de Conexão entre Culturas
A participação do Brasil no JZ Spring Festival, realizado em Xangai, segue em destaque nesta segunda-feira (4), com uma programação repleta de apresentações que reuniram artistas de diversas regiões do país. Esse evento reafirma a riqueza da música brasileira como um ativo estratégico na diplomacia cultural. O festival, que celebra a diversidade musical do Brasil, contou com performances de Mel Mattos, Khrystal, Dorivã e a dupla Felipe & Manoel Cordeiro, que apresentaram ao público chinês as sonoridades contemporâneas da produção musical brasileira. Essas apresentações, que ganharam protagonismo, foram precedidas por uma atividade de abertura que tinha como objetivo fomentar o contato direto com o público e aumentar a visibilidade internacional dos artistas brasileiros.
A iniciativa faz parte da estratégia do Ministério da Cultura (MinC) para fortalecer a presença do Brasil no mercado asiático, utilizando a música como um meio eficaz de aproximação entre os países e de geração de novas oportunidades na economia criativa.
Explorando as Relíquias Culturais
No domingo (3), a ministra Margareth Menezes, acompanhada pela comitiva brasileira, teve uma agenda cultural em Xangai que incluiu uma visita ao Museu de Xangai Leste, onde assistiu à programação do JZ Spring Festival. Este museu, que será inaugurado ao público em 2024, é uma extensão da tradicional instituição localizada na Praça do Povo e abriga uma vasta coleção de arte chinesa antiga, incluindo bronzes, esculturas, caligrafias e cerâmicas. Durante sua visita, a ministra pôde apreciar obras e artefatos das dinastias Ming e Qing, em um espaço que abrange 113,2 mil metros quadrados, distribuídos em oito andares e 20 galerias expositivas.
Celebrando a Música Brasileira
O palco do JZ Spring Festival, por sua vez, celebrou a diversidade da música brasileira no domingo (3) com shows de Khrystal, DJ Tauí Castro, Adriana Calcanhotto e Josyara. Durante a apresentação de Calcanhotto, Margareth Menezes sublinhou o momento de abertura e as oportunidades de expansão da presença cultural brasileira na China. “A história aqui é essa: abrir mercado, propor novas conexões. O público na China se mostra muito receptivo, com um interesse genuíno em ampliar o diálogo cultural com o Brasil. Nossa cultura ainda é pouco conhecida por aqui, mas estamos vivendo uma fase importante de abertura de mercado e diálogo”, comentou a ministra.
Ela enfatizou que o cenário é promissor, dependendo da continuidade do bom trabalho realizado pelos artistas que já estão atuando no país. “Esse é um momento muito positivo. Os artistas que estão chegando agora são pioneiros, e a ideia é que esse movimento se sustente”, afirmou.
Um Futuro Promissor nas Relações Brasil-China
Margareth também posicionou a iniciativa no contexto das relações diplomáticas entre o Brasil e a China, ressaltando que a aproximação cultural possui um horizonte de longo prazo. “Esse é apenas o começo. Acreditamos que os próximos anos podem revelar uma era de ouro nas relações entre Brasil e China, e isso também passa pela cultura”, destacou, citando uma declaração do presidente Xi Jinping.
A ministra ressaltou ainda a importância da economia criativa como um eixo de cooperação que pode trazer impactos diretos para a música, o audiovisual e outras áreas culturais. “O comércio já é bastante desenvolvido, e agora avançamos também na economia criativa, abrindo um leque de possibilidades para a música brasileira, cinema e diversas expressões culturais”, completou.
Além disso, Margareth Menezes ressaltou o significado simbólico da presença brasileira no festival, elogiando o trabalho dos artistas no cenário internacional. “É uma grande alegria presenciar tudo isso. Só podemos agradecer e aplaudir sempre”, finalizou.
A participação brasileira no JZ Spring Festival é parte da Plataforma Música Brasil, uma iniciativa que levou mais de 120 profissionais da cultura à China com o intuito de promover a produção musical nacional e ampliar as conexões internacionais. Essa plataforma é realizada em parceria entre o Ministério da Cultura (MinC) e outros órgãos, incluindo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), Funarte, Embratur e o Instituto Guimarães Rosa (IGR).
O projeto conta com patrocínios de instituições como Petrobras, Sebrae, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa Econômica Federal, com a produção executiva a cargo da Quitanda Soluções Criativas, Instituto Cuidare e IberCultura Viva.
Fortalecendo Laços Diplomáticos
As relações diplomáticas entre Brasil e China, que tiveram início em 1974, se tornaram uma das mais significativas no cenário global, abrangendo fóruns internacionais como BRICS e G20 e englobando áreas estratégicas como tecnologia, energia e sustentabilidade. Dentro desse contexto, o Ano Cultural Brasil-China intensifica o diálogo simbólico e criativo entre os dois países, ampliando as oportunidades para intercâmbio e desenvolvimento conjunto.
