Diálogo e Acesso à Cultura em Caxias do Sul
No cenário do teatro da Universidade de Caxias do Sul, a Lei Rouanet, antes vista como um conceito distante, ganha contornos reais e acessíveis. Este momento faz parte da itinerância da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), realizada recentemente na cidade. O evento serve como uma plataforma para traduzir a política pública, promovendo a orientação prática, a escuta ativa e a troca de experiências entre os que atuam na cultura local.
Nesta quarta-feira (6), o encontro foi marcado por apresentações, painéis e conversas informais, criando um ambiente propício para entender como funciona o mecanismo de incentivo e, mais importante, como acessá-lo. produtores culturais, artistas, gestores e estudantes reuniram-se com um objetivo em comum: descobrir caminhos que possam transformar seus projetos em realidade.
“Nosso desafio agora é garantir que esse crescimento chegue em todos os cantos. Quando aproximamos a política pública das comunidades, conseguimos transformar informação em acesso”, afirmou Thiago Rocha, secretário de Fomento e Incentivo à Cultura.
Durante o primeiro dia do evento, diversos painéis e encontros setoriais foram realizados, abordando desde a legislação da Lei Rouanet até estratégias para a inscrição de projetos e captação de recursos. “A CNIC itinerante desempenha um papel crucial ao aproximar e orientar. Quando explicamos o mecanismo e ouvimos as vozes que estão na ponta, ampliamos as possibilidades de participação e fortalecemos o setor cultural”, complementou o secretário.
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Conexões e Transformações Práticas
Entre os presentes, a produtora cultural Karine Silva destacou a importância do encontro em sua busca por mais informações. Atuando em projetos de formação musical na cidade, como os Coros do Moinho — que já impactam jovens há mais de 13 anos — e a Oficina de Choro da Serra Gaúcha, iniciativa que já atrai mais de 100 participantes anualmente, Karine relatou sua experiência. “Eu já me envolvi com a Lei Rouanet e escrevi projetos, mas não é algo rotineiro para mim. Vim aqui para buscar mais informações e entender melhor como acessar esses recursos”, disse.
Para ela, o evento ajudou a desmistificar um mecanismo frequentemente considerado complexo. “Saí com mais clareza e isso faz diferença na hora de planejar os próximos passos dos meus projetos”, ressaltou.
Rafaela Almeida, chefe da divisão de incentivos fiscais do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), também observou a troca de conhecimento entre os participantes. “As salas estavam cheias e as pessoas demonstraram um interesse ativo. Muitos já tinham experiência em projetos e estavam lá para aprofundar seus conhecimentos”, explicou.
Rafaela ainda destacou como o encontro fortalece as conexões locais. “As pessoas se identificam nas histórias umas das outras, compartilhando experiências e estabelecendo redes que potencializam o impacto das políticas culturais”, afirmou.
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Fonte: agazetadorio.com.br
Fortalecimento do Território Cultural
A troca de experiências foi um tema recorrente entre os participantes. Márcio Allend, vice-presidente da Associação Cultural Essência Cigana do Brasil, enfatizou a importância do diálogo direto com o Ministério da Cultura como uma estratégia para expandir iniciativas que já estão consolidadas, mas que ainda enfrentam desafios para crescer.
Com um grupo que atua há mais de 15 anos em Caxias do Sul, Márcio destacou a relevância da itinerância da CNIC para criar um ambiente de escuta e aproximação institucional. “Essa interação é fundamental. Conseguimos compreender melhor os processos e levar essa informação a outros grupos e coletivos”, afirmou.
Apesar de muitos produtores já conseguirem estruturar seus projetos, eles frequentemente enfrentam dificuldades nas etapas seguintes, especialmente na captação de recursos e na articulação com patrocinadores. Nesse contexto, o acesso a informações qualificadas e o contato direto com gestores públicos são essenciais para facilitar o processo. “A cultura é uma construção coletiva. Quando a informação circula, mais projetos conseguem se desenvolver e alcançar novos públicos”, enfatizou Márcio.
Ele também apontou que o fortalecimento das redes é um dos principais resultados desses encontros, contribuindo para criar conexões, compartilhar vivências e ampliar repertórios. A expectativa é que o conhecimento adquirido se desdobre em novas iniciativas, impactando outros coletivos e territórios. “Quando levamos isso para frente, o impacto se multiplica. Assim, a cultura cresce com mais pessoas participando e colaborando”, concluiu.
Masterclass e Formação Técnica no Audiovisual
Outro ponto alto da programação foi a masterclass focada no audiovisual, que abordou roteiro de ficção para longas, médias e curtas-metragens, conduzida pelo comissário Rafael Peixoto. Essa atividade reforçou a necessidade de formação técnica e a compreensão dos processos que estruturam o mecanismo de incentivo.
A produtora executiva e roteirista Kiwi Bertolla apontou os desafios na circulação de obras, sublinhando a importância de fortalecer as estratégias de distribuição para garantir que os projetos alcancem o público desejado. “O processo exige um tipo de letramento burocrático que nem todos têm. Muitas vezes, artistas com trabalhos consistentes carecem do domínio dessa linguagem”, destacou. Nesse contexto, a formação como a masterclass se mostra fundamental para ampliar a participação no sistema. “Quanto mais pessoas compreendem como funciona a área do audiovisual, maior será a sua autonomia para propor e decidir sobre seus projetos e sua remuneração”, afirmou Kiwi.
Ela ainda enfatizou a importância de integrar o setor privado nesse processo. “Muitos ainda desconhecem o impacto do investimento em cultura, o que afeta diretamente a captação de recursos”, concluiu, apontando que a cultura precisa ser vista como um motor de desenvolvimento econômico e social.
