Seminário em São Luís destaca a força da economia criativa no Maranhão
A cultura maranhense, reconhecida nacionalmente por suas manifestações populares e tradições, tem ampliado seu papel econômico ao impulsionar o empreendedorismo local. A riqueza das expressões culturais do Maranhão se transforma em uma poderosa ferramenta para geração de renda, valorização da identidade regional e desenvolvimento dos territórios.
Com essa perspectiva, São Luís sedia até o dia 27 de maio o Seminário da Rede de Cultura e Economia Criativa, uma iniciativa itinerante do Ministério da Cultura (MinC) e do Sebrae, executada pelo Instituto BR. O evento gratuito oferece palestras, oficinas e mesas temáticas que exploram desde a atuação colaborativa até as formas de gerar trabalho e renda a partir da cultura.
Governança e estratégias para fortalecer o setor cultural
Integrando o Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC), o seminário reúne agentes culturais, empreendedores criativos e lideranças territoriais para discutir governança, mapeamento dos territórios criativos e fortalecimento das políticas públicas direcionadas ao segmento. Essas ações também contribuem para a construção do Plano Nacional de Economia Criativa, que busca ouvir os trabalhadores da cultura para aprimorar as políticas em todo o país.
O empreendedor Elber Abreu ressalta que o encontro é fundamental para ampliar o diálogo e criar novas oportunidades para os fazedores de cultura no Maranhão. “Iniciativas como esta reúnem atores, empreendedores e agentes culturais para que possamos dialogar e criar possibilidades a partir da economia criativa. É um encontro que fortalece e fomenta o empreendedorismo criativo local”, destaca.
Leia também: São Luís recebe Seminário da Rede de Cultura e Economia Criativa com foco em desenvolvimento local
Leia também: Feira EBD: Um Impulsor da Economia Criativa e do Empreendedorismo em São Luís
Potencialidades da economia criativa maranhense
A agente cultural Isabela Leite reforça a importância dos espaços de escuta e construção coletiva promovidos pelo seminário. Segundo ela, o Maranhão se destaca pela diversidade artística, pelas habilidades artesanais e pela inovação tecnológica que vêm sendo desenvolvidas, consolidando-se como uma referência em economia criativa.
Produtos como biojoias, peças em cerâmica, bordados, além da culinária regional, música, audiovisual, moda autoral, literatura, turismo cultural e manifestações tradicionais como o bumba meu boi, o tambor de crioula e o reggae compõem o universo da economia criativa local. Essas atividades movimentam cadeias produtivas e geram novas oportunidades para empreendedores culturais.
Crescimento da economia criativa e impacto no mercado de trabalho
Além do valor simbólico, o setor tem apresentado crescimento expressivo na economia brasileira. Dados do Observatório Firjan indicam que a Indústria Criativa já supera 3% do PIB nacional, chegando a 3,59% em 2023. O levantamento também aponta que mais de 1 milhão de profissionais criativos estão formalmente empregados, representando um avanço de 6,1% em relação ao ano anterior.
César Guimarães, gerente de Inovação do Sebrae Maranhão, destaca a importância do seminário para o estado e a capital. “Este é um momento oportuno para discutir temas relevantes para a economia local. O Sebrae apoia produtores, fazedores de cultura e empreendedores criativos, fortalecendo conexões e iniciativas que contribuem para o desenvolvimento econômico e cultural do Maranhão”, afirma.
Leia também: Carnaval de 2026 em São Luís: Oportunidades para Empreendedores da Economia Criativa
Leia também: Programa Plural Avança em São Luís com Foco no Empreendedorismo Inclusivo
Políticas públicas e qualificação para fortalecer o setor cultural
Mardoni Barros, diretor do Instituto BR, explica que o seminário resulta de um acordo de cooperação entre o Sebrae e o Ministério da Cultura, focado na qualificação e no fortalecimento do empreendedorismo cultural. “O objetivo é fortalecer políticas culturais, especialmente voltadas para pequenos empreendedores, aproveitando as oportunidades das políticas públicas”, afirma.
Ele ressalta também o papel dos programas de fomento, como a Política Nacional Aldir Blanc, que ampliam recursos para o setor, mas demandam qualificação dos agentes culturais e municípios para acessar e gerir esses investimentos. “Há previsão de bilhões sendo investidos na cultura, e é fundamental que municípios e agentes estejam preparados para elaborar projetos, gerir recursos e prestar contas, evitando que os recursos retornem por falta de qualificação”, alerta.
O Seminário da Rede de Cultura e Economia Criativa termina nesta quarta-feira (27) na Sede da Associação Cultural Os Caras de Onça, no Centro de São Luís, consolidando um espaço para fortalecer o empreendedorismo e a cultura local.
