Laura Cardoso e seu impacto na cultura brasileira
Laura Cardoso, uma das figuras mais respeitadas da televisão brasileira, faleceu aos 98 anos, deixando um legado significativo para as artes cênicas do país. Reconhecida por sua trajetória sólida e personagens marcantes, a atriz permaneceu na memória dos brasileiros como um ícone da dramaturgia nacional. A TV Globo, onde mantinha contrato vitalício, divulgou uma mensagem oficial que destacou a importância da artista: “Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso”.
Carreira e pioneirismo na televisão
Natural do bairro do Bixiga, em São Paulo, Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni iniciou sua trajetória artística no rádio aos 15 anos, na Rádio Cosmos. Foi no radioteatro que ela conheceu seu marido, Fernando Baleroni, com quem teve duas filhas. A estreia na televisão aconteceu em 1952, no programa “Tribunal do Coração”, da TV Tupi, tornando-a uma das pioneiras da TV brasileira.
Com mais de 100 trabalhos ao longo da carreira, entre novelas, filmes e dublagens, Laura construiu uma filmografia diversa e representativa. Sua estreia na TV Globo foi em 1981, na novela “Brilhante”, e desde então participou de mais de 60 novelas em diferentes emissoras. Entre seus personagens mais lembrados estão Isaura, em “Mulheres de Areia” (1993), e Guiomar, em “A Viagem” (1994).
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Reconhecimento e atuação além da TV
Além da televisão, a atriz também brilhou no cinema e na dublagem. Laura participou de mais de 20 filmes e foi a voz da personagem Betty no desenho “Os Flintstones” nos anos 1960. No cinema, recebeu destaque por papéis em obras como “Terra Estrangeira” (1995) e “Através da Janela” (2000), este último lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Miami.
Ao longo da carreira, conquistou importantes prêmios, como o Shell de Teatro em 1990 e 1993, a Ordem do Mérito Cultural em 2006 e o Troféu APCA de melhor atriz por “Irmãos Coragem” (1995). Mesmo afastada das novelas desde 2019, Laura participou da inauguração de sua estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo em 2025, reforçando sua presença no cenário cultural.
Visão sobre vida, trabalho e finitude
Conhecida pelo entusiasmo e dedicação ao ofício, Laura defendia que o artista deve continuar ativo enquanto puder. Em 2006, afirmou que “A gente se aposenta quando vai embora”. Em entrevista à revista Quem em 2019, abordou a morte com naturalidade: “É uma besteira ter medo da morte! Ela é imprevisível, mas inevitável. Amo a vida, agradeço a Deus por ter chegado a essa idade, mas a gente um dia vai embora”.
O legado de Laura Cardoso permanece vivo, sobretudo pela riqueza de seus personagens e pelo impacto cultural que deixou na televisão, no cinema e nas artes brasileiras como um todo. Sua história segue inspirando artistas e público, refletindo a força da cultura nacional e sua capacidade de celebrar talentos que atravessam gerações.
