Trajetória e formação humanista
Marcio Maranhão, nascido no bairro do Humaitá, Rio de Janeiro, abriu os olhos para a medicina pelas mãos de um obstetra que marcou sua família e a medicina carioca. Seu tio-avô, obstetra respeitado e figura central na vida de gerações, presenteou-o com um atlas de anatomia quando soube da aprovação de Marcio em medicina. Na dedicatória, um conselho que Maranhão carrega até hoje: o compromisso com o paciente deve resistir ao tempo, que muitas vezes os invisibiliza.
Ingressou na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde a formação em medicina vai além da técnica, aproximando o estudante do contexto social e das desigualdades que permeiam a saúde pública. Apesar de ter nascido e estudado em uma zona privilegiada da cidade, a experiência na UERJ e o contato com emergências públicas abriram sua visão para a realidade que muitos enfrentam no Brasil.
Experiência no serviço público e missões sociais
Após se formar em 1994, Maranhão iniciou residência em cirurgia geral e ingressou no serviço militar obrigatório na Aeronáutica. Durante 31 anos no Hospital de Força Aérea do Galeão, conheceu o lado das Forças Armadas dedicado à cidadania, participando de missões cívico-sociais em regiões como o Vale do Jequitinhonha e a Amazônia, levando assistência a locais remotos.
Essa vivência consolidou sua visão sobre a importância da saúde pública e o papel do SUS, especialmente em áreas de difícil acesso e vulnerabilidade social.
Leia também: CasaMundo revela um México plural em conversa com o embaixador Carlos García de Alba
Fonte: gpsbrasilia.com.br
Leia também: Cambé é destaque nacional: 49ª melhor segurança e 4ª saúde pública do Paraná
Fonte: londrinagora.com.br
Contribuição para a cultura e a série Sob Pressão
Marcio Maranhão colaborou diretamente na criação da série “Sob Pressão”, que retrata a rotina e os desafios da saúde pública no Brasil. Ele relata que a série abordou temas complexos em 59 episódios, cada um com três tramas relacionadas à saúde pública, mostrando a presença do SUS na vida cotidiana, muitas vezes invisível para a população.
O trabalho junto ao diretor Andrucha Waddington e ao elenco permitiu uma imersão profunda nos aspectos técnicos e emocionais da medicina. Para Maranhão, a série não apenas retrata a realidade, mas também resgata a dimensão humana da profissão médica, mostrando gestos silenciosos de cuidado e gratidão.
O papel do SAMU e a experiência nas comunidades do Rio
Entre 2005 e 2006, Maranhão atuou no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) do Rio de Janeiro, enfrentando territórios complexos e armados, como comunidades da Ilha do Governador. O cirurgião destaca que o SAMU é um dos poucos serviços do Estado presente em locais onde muitos outros não chegam, atendendo pessoas independentemente de sua origem ou condição social.
Para ele, o SAMU representa uma conexão rara em um país polarizado, levando atendimento a quem precisa, seja em presídios, favelas ou bairros nobres. Essa experiência reforçou seu compromisso com a saúde pública e a importância do SUS para mais de 214 milhões de brasileiros.
Leia também: Governo Lula acusa EUA de tentar interferir nas eleições brasileiras
Fonte: agendapublica.com.br
Desafios e perspectivas para a saúde pública no Brasil
Maranhão aponta que, apesar dos avanços do SUS desde sua criação em 1988, o sistema enfrenta desafios como a falta de políticas públicas estruturadas e financiamento adequado. Ele destaca a importância da atenção primária à saúde, que atua como porta de entrada e descongestiona os hospitais, especialmente em temas como saúde mental.
Também chama atenção para a necessidade de integração entre os entes federativos para garantir a continuidade do cuidado ao paciente, respeitando os princípios de integralidade, universalidade e equidade. Políticas de Estado, blindadas contra mudanças de governo, são essenciais para a sustentabilidade do sistema.
Transição para o audiovisual e novos projetos
Além da medicina, Maranhão tem se dedicado à escrita de roteiros para audiovisual, inspirado pela experiência em “Sob Pressão”. Ele revela a satisfação em traduzir sua vivência médica para a linguagem das artes, valorizando o aspecto emocional da profissão.
Apesar de preferir ficar fora das câmeras, planeja aprofundar sua atuação na direção, trocando o bisturi pela caneta e, futuramente, pela direção, em projetos que ainda estão em desenvolvimento.
