Literatura e cultura negra em destaque no Festival de Artes Cênicas Preta do Maranhão
Na primeira edição do Festival de Artes Cênicas Preta do Maranhão, a literatura ocupa um papel central. Nesta sexta-feira, 16 de outubro, às 16h, o Espaço Cultural Humberto de Maracanã, em São Luís, será palco para o lançamento de quatro livros que exploram temas como ancestralidade, memória, identidade, corporeidades negras, cultura popular e produção de conhecimento. Essa atividade integra a programação gratuita do festival, que segue até sábado (17), reunindo diversas expressões das artes cênicas pretas, afro-indígenas e afrodiaspóricas.
Produções literárias que dialogam com saberes ancestrais e resistência
Organizado pela Afrodite Produções e apresentado pelo Ministério da Cultura, o Festival conta com patrocínio master da Vale, Sebrae, e apoios do Teatro Negro e Atitude, Sesc Maranhão, Centro Cultural Vale Maranhão, Máximo e Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (SECULT). O evento reúne obras literárias e acadêmicas que se conectam com as artes cênicas e as experiências de resistência das populações negras e afro-indígenas.
Entre os lançamentos, destaca-se Represas do Tempo, do artista e pesquisador maranhense Tiyê Macau. A obra investiga a relação das instituições culturais e de conhecimento com as ancestralidades dos povos brasileiros, refletindo sobre as epistemologias ancestrais e seu papel na construção dos espaços formais de saber.
Outra produção local é o livro Centro de Artes Cênicas do Maranhão (CACEM): Memórias e Resistência de uma Escola de Teatro, de Gilberto dos Santos Martins. A publicação recupera a trajetória do CACEM desde sua fundação em 1997, revelando os processos de ensino teatral em São Luís, as relações com o poder público e as experiências que marcaram sua história.
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Obras que trazem protagonismo feminino e diálogos regionais
O livro Mulherios e Capoeiragens: Encruzilhadas na Amazônia, organizado por Carmen Virgolino (PA), reúne reflexões e relatos de mulheres na capoeira. A obra destaca a Amazônia como território de criação intelectual e estabelece conexões entre capoeira angola, ancestralidade, corporeidades negras e artes da cena, evidenciando o protagonismo feminino na transmissão desses saberes.
Completa o conjunto a publicação Eu sou uma mulher de rua. Eu ando quase nua porque eu sou uma mulher crua, de Ana Regina Arcanjo (MA) e Lygia Peçanha (MG). Em edição bilíngue, português e espanhol, o livro nasce de um diálogo sobre as ruas de São Luís e seus territórios de memória. Entre o tambor de crioula, as encantarias, a culinária e o cotidiano, compartilha saberes ancestrais, afetos e formas coletivas de cuidado e resistência.
Literatura que amplia o diálogo cultural e fortalece a identidade
Ao reunir essas obras, o Festival de Artes Cênicas Preta do Maranhão expande seu espaço para além dos palcos, integrando literatura, pesquisa, memória e criação artística. A iniciativa reforça a importância da produção intelectual negra e afro-indígena na preservação das identidades culturais e na renovação das artes contemporâneas.
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
Mais que lançamentos, o encontro celebra palavras que guardam memórias, afirmam existências e abrem caminho para novas narrativas.
Sobre o Festival de Artes Cênicas Preta do Maranhão
Realizado de 13 a 17 de outubro em São Luís, o Festival reúne espetáculos de teatro e dança, cenas curtas, performances, oficinas e atividades culturais gratuitas. Idealizado pelas produtoras Larissa Ferreira e Júlia Martins, o evento busca fortalecer a circulação e o reconhecimento das artes cênicas pretas, afro-indígenas e afrodiaspóricas, promovendo encontros entre artistas, pesquisadores e públicos de diferentes regiões do Brasil.
A programação completa está disponível no perfil @festivaldeartescenicaspretama.
