Vereadores de Turilândia Sob Prisão Domiciliar
Os vereadores José de Ribamar, Inailce Nogueira, Gilmar Carlos, Mizael Soares e Sávio Araújo, todos de Turilândia, tiveram suas prisões convertidas para domiciliar após se entregarem à polícia na última quinta-feira (25). A decisão foi tomada pela Justiça durante uma audiência de custódia, onde os suspeitos foram levados à Unidade Prisional de Pinheiro (MA). Todos eles enfrentam acusações de corrupção, com um total de R$ 56 milhões em dinheiro público sendo alvo da investigação.
Os representantes da Câmara Municipal estão sendo monitorados por tornozeleiras eletrônicas, uma medida que busca garantir a continuidade da administração municipal, especialmente considerando que o prefeito Paulo Curió (União Brasil) continua preso. O prefeito, a vice e a primeira-dama foram levados ao Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, e a expectativa é que a presidência da Câmara assuma suas funções nos próximos dias.
Operação Tântalo II e Suspeitas de Corrupção
A Operação Tântalo II, deflagrada na última segunda-feira (22), resultou na prisão de várias figuras políticas e está relacionada a um esquema de corrupção que envolve diversos agentes, incluindo empresários e servidores públicos. O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) informou que, ao todo, 21 mandados de prisão foram expedidos, e todos os indivíduos com ordens judiciais foram detidos.
A investigação revela que uma organização criminosa se instalou na Prefeitura e na Câmara Municipal de Turilândia, situada a 157 km de São Luís. O grupo tinha como objetivo desviar recursos públicos, especialmente nas áreas da Saúde e Assistência Social, motivando a criação da operação.
Caminho do Dinheiro Desviado
De acordo com as apurações do MP-MA, mais de R$ 56 milhões foram desviados através de empresas fictícias criadas pelo prefeito e seus aliados. O esquema foi estruturado de forma hierárquica, dividindo as funções entre políticos, operadores financeiros e empresários. A prática envolvia corrupção passiva e ativa, além de outras irregularidades significativas durante a gestão do prefeito Paulo Curió, que se estende de 2021 até 2025.
As acusações incluem fraude em licitações e lavagem de dinheiro, evidenciando um complexo sistema de corrupção que operava nas entranhas da administração municipal.
Detalhes da Participação dos Envolvidos
O prefeito Paulo Curió foi identificado como o líder do esquema, sendo responsável por direcionar licitações e ordenar despesas públicas sem a devida comprovação. O MP destaca que as empresas contratadas emitiam notas fiscais sem a realização real dos serviços, com os valores retornando em sua maioria ao núcleo político da organização.
A vice-prefeita Tânia Mendes foi citada como um dos elos essenciais para a operação, atuando em movimentações financeiras e garantindo a aparência de legalidade às contratações fraudulentas. Por sua vez, a ex-vice-prefeita Janaína Lima é apontada como uma controladora de recursos, que atuava em benefício próprio e de aliados.
Implicações para a Câmara Municipal
O envolvimento da Câmara Municipal de Turilândia no esquema foi igualmente destacado. A pesquisa revela que os vereadores atuavam sob coação política e recebiam compensações financeiras periódicas, além de garantirem apoio ao prefeito enquanto se omitiram de sua função fiscalizatória.
As decisões judiciais determinaram busca e apreensão nos gabinetes dos vereadores, com o intuito de coletar documentos e registros que comprovem as irregularidades.
Reação dos Envolvidos
A vice-prefeita Tânia Mendes, em nota, expressou surpresa com a operação e afirmou estar disposta a colaborar com as investigações. Ela ressaltou sua integridade e a ausência de envolvimento nas questões financeiras da gestão. O g1, por sua vez, continua a buscar contato com as defesas dos demais suspeitos, mas ainda não obteve respostas.
O desdobramento desse caso traz à tona uma história de corrupção que abala a administração pública em Turilândia, levantando questões importantes sobre a integridade e responsabilidade no serviço público.
