Reafirmando o Compromisso com a Vida e a Família
Saudações, ouvintes da Rádio Vaticano! Aqui estão Marlon e Ana Derosa para compartilhar algumas reflexões no início deste novo ano. É um momento propício para traçar metas e renová-las. Hoje, queremos convidá-lo a priorizar um compromisso essencial: fortalecer os laços com a vida e a família.
Recentemente, celebramos a Festa da Sagrada Família, cujas leituras demonstram que a família não é apenas uma construção social, mas um desígnio divino para o amor humano, para o cuidado da vida e para a educação e formação do coração.
O Eclesiástico enfatiza a importância do respeito entre pais e filhos. Por sua vez, o Salmo destaca a alegria de quem vive nos caminhos do Senhor. Na Carta aos Colossenses, São Paulo fala sobre o amor e o respeito que devem permear as relações familiares. O Evangelho nos apresenta a Sagrada Família enfrentando adversidades, perseguições e até o exílio, sempre obediente a Deus e voltada à proteção do Menino Jesus.
É inegável que hoje enfrentamos uma crise sem precedentes nas estruturas familiares. As questões vão além dos divórcios e conflitos conjugais: o drama agora afeta profundamente as crianças, que, frequentemente, nascem de relações desordenadas e crescem em ambientes marcados por agressões, desrespeito e abandono. Muitas vezes, são negligenciadas em suas necessidades físicas e emocionais, privadas do afeto, da presença e dos limites que necessitam para um desenvolvimento saudável.
No ano em que se celebra a década da publicação da Amoris Laetitia, é fundamental recordar a mensagem do Papa Francisco: “o bem da família é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja” (AL, 31). Contudo, viver o propósito da família torna-se cada vez mais desafiador, especialmente no que diz respeito à educação (AL, 84). Uma parte significativa da juventude atual carrega um profundo sentimento de orfandade (AL, 173), um vazio afetivo que evidencia a falta de vínculos familiares sólidos. Nesse cenário, o Papa Francisco destaca a relevância da presença equilibrada de pai e mãe no lar. Ele menciona que “a presença clara e bem definida das duas figuras, masculina e feminina, cria o ambiente mais propício para o amadurecimento da criança” (AL, 175). A ausência paterna, uma realidade comum nos dias atuais, é um dos grandes desafios que enfrentamos (AL, 176). O pai deve estar presente em todos os momentos, ao lado da esposa e dos filhos, com amor, firmeza e ternura (AL, 177).
Para realmente fortalecer as famílias, a Amoris Laetitia sugere caminhos concretos que devem ser adotados com dedicação pela Igreja, pelas comunidades e pelas próprias famílias. O primeiro passo é levar com alegria o Evangelho da família (AL 200ss). Em meio a tantas ideologias e confusões culturais, é essencial apresentar, de forma clara e atraente, a verdade sobre o matrimônio e a vida familiar como um caminho de plenitude e santidade.
Outro aspecto importante abordado pelo Papa Francisco na Amoris Laetitia é a preparação adequada de noivos para o sacramento do matrimônio (AL 205ss) e o acompanhamento nos primeiros anos de casados (AL 217ss). Muitos casais se casam sem uma compreensão completa da grandeza e das exigências dessa vocação. Uma catequese matrimonial eficaz deve incluir o acompanhamento dos casais em pequenos grupos, além de proporcionar espaços para escuta e formação, o que fará uma diferença significativa na construção de uma família sólida e na prevenção de crises.
Por último, é imprescindível focar na educação dos filhos (AL 259ss). Os pais são os primeiros educadores, mas devem receber apoio para exercer bem essa função. Fortalecer os vínculos, cultivar o diálogo, orientar a consciência e transmitir a fé são pilares de uma educação familiar que gera frutos duradouros.
Quando uma criança cresce em um lar saudável, cercada de bons exemplos, ela aprende, de forma natural, a valorizar a família, o amor verdadeiro, o compromisso e a dignidade humana. A vivência concreta da fidelidade entre os pais, a presença equilibrada de pai e mãe e a claridade dos papéis familiares constroem uma base sólida, que será um guia para suas escolhas no futuro. Isso ajudará as crianças e jovens a entenderem os perigos dos discursos que banalizam a vida e promovem vínculos superficiais e irresponsáveis, que podem levar à rejeição da vida que se inicia.
Vamos iniciar 2026 dedicando-nos a fortalecer nossas famílias: primeiramente, cuidando dos nossos próprios laços familiares e na educação dos nossos filhos, e, em seguida, atuando pastoralmente, conforme orientações dos documentos da Igreja.
A todos, um grande abraço e um Feliz Ano Novo!
