Um Novo Olhar sobre a Economia Solidária
A implementação de políticas públicas voltadas para a economia popular e solidária no Maranhão foi o tema central abordado na manhã desta segunda-feira (12), no programa “Sustentabilidade na Prática”, da Rádio Assembleia (96,9 FM). A educadora popular Flaviana Almeida, que atua como agente territorial de economia solidária do Programa Paul Singer, apresentou uma análise detalhada sobre a reativação de trabalhos de base e a organização de empreendimentos e coletivos de economia solidária. Essa ação é parte de um esforço maior para mapear grupos existentes em diversas regiões no interior do Maranhão.
Durante a transmissão, conduzida pela radialista Maria Regina Telles, Flaviana Almeida destacou que o Programa de Formação Paul Singer de Agentes de Economia Popular e Solidária foi criado pelo Governo Federal com o intuito de fortalecer indivíduos que atuam de forma autônoma ou em grupos, associações e cooperativas. Este programa foi instituído por meio da Lei nº 15.068, sancionada em 23 de dezembro de 2024, e se articula com a Política Nacional de Economia Solidária.
Flaviana Almeida ressaltou a importância da retomada das políticas públicas que atendem os interesses do povo: “Vivemos anos desafiadores, em que as necessidades da população foram relegadas. Contudo, estamos em 2026 e a Economia Solidária voltou a ser uma prioridade no Brasil. O desafio agora é focar no território e ouvir atentamente para identificar quais são os principais problemas enfrentados pela população, seja na saúde, transporte, moradia, emprego ou na educação e cultura”, declarou a educadora.
A Importância da Escuta Ativa
Na posição de agente territorial da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), Flaviana Almeida explicou que a escuta ativa ocorre por meio do acompanhamento dos Agentes Territoriais (AGEPs). Esses profissionais são preparados para auxiliar aqueles que promovem a economia de forma autogestionada, em redes de solidariedade, sempre com um compromisso com a justiça social e o respeito ao meio ambiente.
“O primeiro passo desse processo é o mapeamento”, explicou Almeida. “No Maranhão, já iniciamos essa atividade, e até fevereiro deste ano, pretendemos apresentar uma análise da realidade dos territórios, coletando dados que abrangem a trajetória dos Empreendimentos de Economia Solidária [EES]. Esses empreendimentos incluem associações, cooperativas, cozinhas solidárias, bancos comunitários, sindicatos e Coletivos de Economia Popular e Solidária [CEPS]. Para formar esses grupos, é necessário que ao menos três pessoas de dois núcleos familiares diferentes se unam para desenvolver uma atividade econômica”, detalhou.
Objetivos e Expectativas do Programa
Com formação em Ciências Sociais e Psicologia e mestrado em Desenvolvimento Socioespacial e Regional pela Universidade Estadual do Maranhão (Uema), Flaviana Almeida enalteceu a importância do trabalho de pesquisa-ação que busca sistematizar informações sobre condições estruturais, relações de produção e trabalho, finanças, comunicação, saúde e segurança do trabalho.
“É fundamental informar que este programa tem como objetivo identificar quem são e onde estão esses grupos, além de estimular a organização de EES e CEPS. Isso permitirá uma visão mais clara da realidade e a formulação de políticas públicas que realmente funcionem”, enfatizou. Para isso, a atualização do Cadastro de Empreendimentos Solidários (CadSol) é uma prioridade, uma vez que visa tornar esses grupos visíveis para o Estado.
Flaviana Almeida também destacou que, “uma vez que o grupo esteja organizado e cadastrado, as oportunidades se multiplicam. Isso significa que eles poderão ser reconhecidos e, consequentemente, vender produtos para escolas por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), participar do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e, no futuro, acessar linhas de crédito com taxas mais justas do que as praticadas pelos bancos tradicionais”.
