Cidades do Nordeste em Destaque
No Brasil, o panorama do aluguel residencial registrou um aumento significativo em 2025. De acordo com o Índice FipeZAP, os preços de locação subiram, em média, 9,44% no último ano. Este crescimento, embora expressivo, foi inferior ao de 2024, que alcançou 13,5%. É importante notar que a alta de 2025 também ficou aquém dos 16% observados em 2022 e 2023, períodos marcados por uma rápida recuperação econômica após os impactos da pandemia.
Mesmo com essa desaceleração, o reajuste ultrapassou mais que o dobro da inflação oficial de 2025, que foi de 4,26% segundo o IPCA. Isso significa que os locatários enfrentaram um aumento considerável em seus gastos com aluguel, o que impõe uma pressão significativa sobre o orçamento familiar. O FipeZAP calcula esse indicador com base em anúncios de imóveis disponibilizados online, através de plataformas como OLX e Zap, acompanhando o preço médio de locação em 36 cidades brasileiras, incluindo importantes capitais.
Ranking das Capitais
Entre as capitais que mais se destacaram, Teresina, no Piauí, registrou um impressionante aumento de 21,81%, se tornando a cidade com a maior alta do país. Em segundo lugar, Belém, no Pará, viu seus preços subirem 17,62%, impulsionada pelo aumento da visibilidade internacional devido à preparação para a COP30. Aracaju (SE) e João Pessoa (PB) também se destacam, evidenciando uma dinâmica de demanda mais intensa na região nordeste.
A lista das capitais com os aumentos mais significativos em 2025 é a seguinte:
- Teresina (PI): 21,81%
- Belém (PA): 17,62%
- Aracaju (SE): 16,73%
- Vitória (ES): 15,46%
- João Pessoa (PB): 15,31%
- Cuiabá (MT): 14,61%
- Belo Horizonte (MG): 13,01%
- Fortaleza (CE): 12,45%
- Salvador (BA): 12,38%
- Maceió (AL): 12,22%
- São Luís (MA): 11,37%
- Curitiba (PR): 10,98%
- Rio de Janeiro (RJ): 10,87%
- Natal (RN): 10,13%
- Recife (PE): 9,82%
- Porto Alegre (RS): 9,38%
- Florianópolis (SC): 9,35%
- São Paulo (SP): 7,98%
- Brasília (DF): 6,41%
- Goiânia (GO): 4,67%
- Manaus (AM): 1,06%
Por outro lado, Manaus apresentou a menor alta, com apenas 1,06%. Isso indica uma perda real para os proprietários que ajustaram seus aluguéis nesse período, já que o aumento ficou abaixo da inflação.
A Alta também nas Cidades do Interior
O FipeZAP também monitora 14 cidades de grande relevância econômica fora das capitais. Nessa lista, os aumentos foram consideráveis, com alguns lugares registrando elevações superiores às das metrópoles. As cidades onde os aluguéis mais aumentaram em 2025 incluem:
- Campinas (SP): 19,92%
- Pelotas (RS): 18,81%
- Niterói (RJ): 16,27%
- São José do Rio Preto (SP): 15,41%
- Barueri (SP): 13,97%
- Santos (SP): 12,80%
- Ribeirão Preto (SP): 11,60%
- Joinville (SC): 11,49%
- Praia Grande (SP): 9,40%
- Santo André (SP): 7,83%
- São José dos Campos (SP): 7,43%
- São Bernardo do Campo (SP): 7,31%
- Guarulhos (SP): 7,14%
- São José (SC): -3,10%
Um dado curioso é a cidade de São José (SC), que registrou uma queda nominal de 3,10% nos aluguéis, algo atípico em um cenário de alta generalizada.
A Demanda por Imóveis e o Retorno ao Proprietário
Ao analisar o mercado por tipo de imóvel, os apartamentos com três dormitórios foram os que mais se valorizaram, com um aumento médio de 10,19%. Veja como ficou a variação do aluguel em 2025 de acordo com o número de dormitórios:
- 3 dormitórios: 10,19%
- até 1 dormitório: 9,81%
- 4 ou mais dormitórios: 9,64%
- 2 dormitórios: 9,19%
Essa tendência pode indicar um aumento na busca por espaços maiores, seja por famílias em crescimento ou por uma reorganização nas rotinas de trabalho.
Além disso, o FipeZAP também calcula a rentabilidade do locador, que em dezembro de 2025 chegou a 5,96% ao ano, indicando que o aluguel rendeu quase 6% sobre o valor do imóvel, o nível mais alto desde 2011. Os imóveis menores, como os de um dormitório, tiveram o maior retorno, alcançando 6,68% ao ano.
Perspectivas para o Mercado Imobiliário
Apesar de um crescimento mais modesto em relação aos anos anteriores, o aluguel ainda representa um dos maiores desafios do custo de vida, especialmente em capitais e regiões que têm atraído mais moradores e investimentos. As causas da desaceleração incluem uma demanda ainda forte, mas sem os efeitos intensos da correção pós-pandemia, e uma oferta que não acompanha o crescimento da demanda nas áreas mais valorizadas.
Diante desse cenário, é essencial que quem vai renovar contrato de aluguel em 2026 esteja atento às condições do mercado e busque alternativas que possam minimizar impactos financeiros futuros.
