Demissão de Agentes e Risco à Saúde Pública
A gestão do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), enfrenta críticas severas após a demissão de 113 agentes de combate à dengue, o que deixou diversos bairros da cidade vulneráveis a surtos da doença. No início deste ano, a prefeitura anunciou essas demissões, mas até o momento, os novos agentes aprovados em seletivo ainda não foram convocados para assumir as funções. O resultado disso, segundo especialistas e cidadãos, é um aumento considerável no risco de dengue, especialmente em áreas já afetadas.
Informações compartilhadas nas redes sociais indicam que no bairro João de Deus, uma moradora perdeu a vida em decorrência de complicações relacionadas à dengue. “Bairros como João de Deus, Parque Universitário, Planalto, Jaguarema, Santos Dumont e Pirapora estão abandonados e em perigo, pois o período chuvoso se aproxima”, afirmou um agente em uma postagem no Facebook. A preocupação é palpável, uma vez que a combinação de chuvas e a ausência de fiscalização aumenta a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.
Denúncias do Sindicato e Situação Crítica
Na última sexta-feira, 16, o Sindicato dos Trabalhadores do Controle de Endemias do Estado do Maranhão (Sintracema) protocolou um ofício dirigido à secretária municipal de Saúde, Carolina Mitra, destacando a urgência da situação. No documento, o sindicato expressa sua preocupação com o déficit de agentes nas ruas e cobra explicações sobre a convocação dos novos contratados, frisando a iminência do período chuvoso, que intensifica o problema das endemias.
Os agentes de saúde questionam a decisão do prefeito em demitir os profissionais, alegando que a justificativa de substituição por novos contratados não se concretizou. “O prefeito de São Luís deu prova de preocupação com a população: demitiu 113 agentes de endemias com o pretexto de colocar os que fizeram seletivo. No entanto, esses novos agentes não assumiram as funções, pois faltam material e fardamento”, explicam os profissionais. Essa falta de estrutura não apenas desorganiza o trabalho de prevenção, mas também demonstra desrespeito para com a população que depende desses serviços essenciais.
Silêncio da Administração Municipal
Historicamente, a gestão de Eduardo Braide tem sido marcada por uma postura de silêncio em relação às críticas e demandas da população e dos trabalhadores. O descontentamento entre os agentes de saúde e a comunidade cresce a cada dia, e a sensação de abandono é preocupante. “Infelizmente, a população que se vire com as endemias de início de ano”, desabafou um dos agentes, refletindo a frustração de muitos que se dedicam a proteger a saúde pública.
Enquanto a situação não é regularizada, o risco de surto de dengue se torna uma realidade iminente. A combinação do descaso administrativo com a chegada das chuvas cria um cenário alarmante para a saúde de milhares de cidadãos em São Luís. A expectativa é que a gestão tome medidas urgentes para reverter essa situação e garantir a segurança da população frente às ameaças das doenças transmitidas por mosquitos.
