Perspectivas e Desafios para a Safra de Algodão
A produção de algodão no Brasil deve enfrentar uma queda significativa de quase 10% na safra 2025/26, conforme indicam as previsões da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Para esta temporada, a área plantada está estimada em 2,052 milhões de hectares, o que representa uma diminuição de 5,5% em comparação ao ciclo anterior. Além disso, a produtividade projetada também mostra uma retração de 4,7%, resultando em uma expectativa de 1.866 quilos de pluma por hectare.
Com esses números, a produção total de algodão deve alcançar 3,829 milhões de toneladas, marcando uma queda de 9,9% em relação à safra passada. Marcio Portocarrero, diretor-executivo da Abrapa, comentou sobre essa decisão dos produtores, que buscam uma estratégia mais cautelosa neste momento de incertezas no mercado global. “O setor algodoeiro brasileiro hoje é extremamente profissional e entende que o momento global é de cautela devido ao excesso de oferta de pluma no mundo e a concorrência com os tecidos sintéticos, que tende a aumentar com a queda dos preços do petróleo”, explicou.
Além disso, Portocarrero destacou que o cenário de juros altos e a restrição de crédito agravam significativamente o risco associado à cultura do algodão. Essa situação complexa leva os produtores a reavaliar seus investimentos e abordagens na produção.
Impacto nos Pequenos e Grandes Produtores
Pery Pedro, consultor independente no mercado do algodão, observa que a maior redução na área plantada deve ocorrer entre pequenas propriedades que tradicionalmente não investem em grandes escalas na cultura. Para os grandes produtores, a diminuição deve ficar em torno de 1%. “A queda na área será maior para aqueles que têm 3 mil hectares de soja e, ocasionalmente, destinam apenas uma parte para o algodão na segunda safra”, afirmou.
Esses pequenos produtores, segundo Pedro, carecem da infraestrutura necessária para um cultivo mais robusto e frequentemente optam pela rotação de culturas como uma prática agronômica em vez de uma decisão puramente econômica. Ele ressalta que a diminuição da área cultivada não está diretamente atrelada aos preços atuais do algodão. Na bolsa de Nova York, referência para o mercado nacional, as cotações fecharam em baixa de 8% em 2025. “Embora o cenário de preços não seja favorável, ainda assim as tarifas cobradas são suficientes para que os produtores mantenham a infraestrutura necessária para o cultivo”, disse Pedro.
O Andamento do Plantio e Expectativas de Estoque
O plantio da safra de algodão já começou no Brasil, com a semeadura se intensificando em janeiro nos Estados que cultivam a cultura na segunda safra. Até o dia 8 de janeiro, a Abrapa informou que 18% da área total estimada já havia sido semeada. Em termos de oferta total, a safra é projetada para gerar 4,76 milhões de toneladas, um aumento de 17,6% em relação ao ciclo anterior. Apesar da queda de 9,9% na produção, a associação prevê um aumento de 65,7% no estoque inicial, alcançando 835 mil toneladas.
Além disso, as exportações de algodão devem totalizar 3,2 milhões de toneladas, refletindo um crescimento de 13% em comparação à safra passada. No período de agosto a dezembro de 2025, o Brasil conseguiu exportar 1,41 milhão de toneladas, que representa um recorde para esse intervalo e uma elevação de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior, resultando em uma receita de US$ 891 milhões.
