Escândalos na Gestão Municipal
Em um cenário marcado por uma série de escândalos na administração do prefeito Fernando Pessoa, em Tuntum (MA), a pressão para que o Ministério Público do Maranhão tome uma posição firme aumenta. A situação se assemelha à recente ação em Turilândia, onde o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu o ex-prefeito Paulo Curió e seus aliados durante a Operação Tântalo II.
Documentos que vieram à tona, através do jornalista Joerdson Rodrigues e confirmados pelo Portal G7, revelam movimentações financeiras que levantam questões sérias sobre o uso de recursos destinados à educação básica em Tuntum. Este novo escândalo se desenrola após as já polêmicas nomeações de Calvet Filho, Francisca Estela Calvet e José Reinaldo Calvet, e agora envolve o pagamento de R$ 10 mil, proveniente do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), a Clodomir Martins Albuquerque Junior, dono da empresa Prever Pesquisas de Opinião Pública Ltda.
Acúmulo de Cargos e Moralidade Administrativa
A gravidade do caso é acentuada pelo histórico profissional do beneficiário. Clodomir Martins não apenas é empresário na área de pesquisas eleitorais e de opinião pública, como também ocupa desde 2009 o cargo de Técnico Parlamentar Especial na Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema), recebendo uma remuneração mensal de R$ 14.161,57. Essa situação levanta questões: será que o empresário está acumulando funções na Alema e na Prefeitura de Tuntum?
O pagamento realizado pela Prefeitura de Tuntum no dia 7 de janeiro de 2026 suscita ao menos três pontos que merecem a atenção de órgãos de controle e fiscalização, tanto estaduais quanto federais. Primeiro, a legislação brasileira impede, em regra, o acúmulo de cargos públicos, salvo em situações excepcionais — como no caso de professores ou profissionais da saúde —, o que claramente não se aplica a um cargo comissionado no Legislativo estadual e a um pagamento associado à educação municipal.
Questionamentos sobre a Destinação dos Recursos
Em segundo lugar, é necessário discutir a origem dos recursos. O Fundeb destina-se especificamente à valorização dos profissionais de educação e à manutenção do ensino básico. A inclusão de um empresário do ramo de pesquisas eleitorais na folha de pagamento do município pede explicações a respeito dos serviços educacionais que, supostamente, teriam sido prestados.
Por fim, a questão da moralidade administrativa não pode ser ignorada. A ligação entre a gestão do prefeito Fernando Pessoa e um proprietário de um instituto de pesquisas, financiada com recursos da educação, fere princípios constitucionais, como a moralidade, a impessoalidade e a finalidade do gasto público. Esse cenário eleva as vozes de questionamento nos bastidores da política local: o que será que está por vir?
A movimentação da Polícia Federal na região de Barra do Corda, ocorrida no último domingo (25), já havia colocado prefeitos da área em estado de alerta. Em Tuntum, onde a administração enfrenta investigações e denúncias de órgãos estaduais e federais, este novo episódio pode se transformar em mais um capítulo de apurações pelo Ministério Público do Maranhão.
Nota de Transparência: Este espaço está aberto para que o prefeito Fernando Pessoa e Clodomir Martins Albuquerque Junior possam esclarecer a legalidade do pagamento, o suposto acúmulo de proventos e a natureza dos serviços prestados ao município de Tuntum.
