Filme Impactante Ganha Destaque Internacional
O documentário ‘A Voz de Hind Rajab’, que aborda a devastadora realidade da guerra em Gaza, recebeu uma recepção calorosa durante sua estreia no Festival de Veneza, conquistando 23 minutos de aplausos e o Grande Prêmio do Júri. O filme, dirigido por Kaouther Ben Hania, utiliza gravações de áudio e vídeo feitas por socorristas na noite do trágico incidente que vitimou a menina de apenas 5 anos, misturando documentário e dramatização com a atuação de profissionais. Apesar da grande adesão de astros de Hollywood, como Brad Pitt e Alfonso Cuarón, o longa enfrentou dificuldades para encontrar um distribuidor nos Estados Unidos, essencial para sua visibilidade durante a temporada de premiações.
“A resistência à distribuição era esperada, dado o impacto emocional que o filme pode causar em relação a um conflito armado ainda em andamento”, afirmou Ben Hania em uma videochamada. “Outros documentários já abordaram a narrativa, mas eu queria usar o cinema para promover empatia pelo que acontece na Palestina”, completou.
Na entrevista, a diretora refletiu sobre sua experiência em concorrer ao Oscar em outras duas ocasiões. “Não posso falar sobre expectativas, isso depende dos membros da Academia que assistem ao filme”, declarou. Ela enfatizou que ‘A Voz de Hind Rajab’ não é apenas uma história individual, mas também uma representação da história contemporânea que clama para ser ouvida, especialmente no contexto americano, onde muitos ainda não estão cientes da realidade vivida por palestinos.
Uma Cerimônia Memorável com Reflexões Pessoais
O filme impressionou tanto o público quanto a crítica em Veneza, onde recebeu aclamação, mas a diretora revelou que sua mente estava preocupada com a situação da mãe de Hind, que ainda estava em Gaza e recebia ameaças de morte. “Estava realmente preocupada, principalmente após o trágico assassinato da fotojornalista palestina Fatima Hassouna”, comentou. Durante a cerimônia de premiação, Ben Hania teve a oportunidade de dialogar com a mãe da criança antes de fazer seu discurso de agradecimento, utilizando as palavras dela para honrar a memória de Hind.
No entanto, apesar da repercussão positiva, o filme não conseguiu a atenção de grandes distribuidoras americanas, o que levou a diretora a questionar se o tema palestino gerou um receio por parte das plataformas de Hollywood. “Esperava que estúdios maiores se interessassem, mas não foi o que aconteceu. Optamos por uma distribuidora menor em Nova York, que foca em produções de relevância social”, explicou.
Um Equilíbrio Entre Documentário e Ficção
Ben Hania, que também trabalhou na intersecção entre ficção e documentário em seus filmes anteriores, destacou a importância de contar a verdade da história de Hind, utilizando gravações reais e dramatizações para criar uma narrativa impactante. “Desde o início, sabia que a voz da menina seria o centro do filme, e queria que as pessoas sentissem a empatia que eu senti ao ouvi-la pela primeira vez”, afirmou. A combinação de elementos reais e dramatizados visava sensibilizar o público para a urgência da situação.
Por fim, a diretora abordou as críticas sobre o uso da voz real de Hind, reiterando que é difícil para as pessoas confrontar a realidade. “Quando lembramos que a história é real, muitos não ficam confortáveis”, admitiu. No entanto, Ben Hania argumentou que a voz de Hind, assim como outros relatos históricos, deve ser ouvida e reconhecida, mesmo que a verdade possa ser dolorosa. Essa abordagem, segundo ela, é essencial para dar visibilidade à luta diária dos palestinos e às atrocidades que enfrentam.
