Impactos da Greve dos Rodoviários em São Luís
No segundo dia de greve dos rodoviários, a cidade de São Luís ficou sem ônibus em circulação no último sábado (31). A paralisação atinge mais de 700 mil pessoas que dependem do transporte público, gerando uma onda de transtornos e dificuldades para quem precisa se deslocar.
Sem a presença dos ônibus, os passageiros se viram forçados a buscar alternativas para chegarem ao trabalho ou para voltarem para casa. Van, transporte por aplicativo e carros particulares se tornaram as soluções buscadas, especialmente em pontos movimentados como o Anel Viário. “É complicado. Para quem depende de ônibus, isso é uma falta de respeito”, comentou uma das usuárias.
Embora o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) tenha expedido uma liminar exigindo que 80% da frota estivesse em operação, os pontos de ônibus permaneceram desolados ao longo do dia. A situação revela um problema persistente no sistema de transporte público da capital.
Histórico de Greves no Transporte Público
A crise no transporte público em São Luís não é nova. Informações do Sindicato dos Rodoviários indicam que, nos últimos anos, ao menos sete paralisações gerais foram registradas. A greve atual se soma a uma série de mobilizações, sendo a mais recente iniciada há apenas uma semana por trabalhadores da empresa Expresso Rede França, antiga 1001. Essa foi a terceira paralisação em menos de três meses, todas relacionadas a atrasos no pagamento de salários e benefícios.
A greve geral também expõe um impasse em relação ao reajuste salarial de 2026. Os trabalhadores reivindicam um aumento de até 12%. Apesar da mediação da Justiça, as negociações até o momento não resultaram em um acordo entre as partes envolvidas.
Possíveis Consequências Legais
O Tribunal Regional do Trabalho advertiu que poderá aplicar uma multa diária de até R$ 70 mil ao Sindicato dos Rodoviários caso a decisão judicial não seja respeitada. Além disso, existe a possibilidade de bloqueio de recursos da entidade em caso de descumprimento.
Os rodoviários argumentam que enfrentam condições difíceis de trabalho, enquanto os empresários afirmam que o congelamento das tarifas desde 2023 tem pressionado os custos operacionais do sistema. A Prefeitura de São Luís declarou que está em dia com os repasses de subsídios para as empresas de transporte, conforme estipulado no contrato vigente. A Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) também ressaltou que mantém a regularidade no pagamento do subsídio estadual e pediu maior transparência nos custos do sistema. O órgão considera estranha a suspensão das linhas do semiurbano.
Proximos Passos e Perspectivas Futuras
Com a falta de um consenso entre as partes, a população continua enfrentando não apenas transtornos diários, mas também acréscimos nos gastos com transporte alternativo. Uma audiência de mediação, realizada na tarde da última sexta-feira (30), entre o Sindicato dos Rodoviários e o Sindicato das Empresas de Transporte (SET) resultou em mais um impasse, mantendo a greve geral do transporte público de São Luís.
A reunião ocorreu na sede do TRT e foi conduzida pelo desembargador Gerson de Oliveira Costa Filho. Com a liminar em mãos, que determinou o retorno de 80% da frota imediatamente, as negociações ainda estão longe de uma solução.
Reivindicações dos Rodoviários
Os rodoviários estão pleiteando um reajuste salarial de 15%, além de um tíquete-alimentação de R$ 1.500 e a inclusão de mais um dependente em seus planos de saúde. De acordo com Marcelo Brito, presidente do Sindicato dos Rodoviários, uma contraproposta de aumento de 12% foi apresentada durante a audiência. Os empresários, por sua vez, acordaram discutir a viabilidade deste percentual que foi sugerido. As linhas urbanas e semiurbanas permanecem paralisadas até que uma nova proposta seja apresentada, sem previsão de retorno ao normal.
