Nova Paralisação dos Rodoviários
Na Grande São Luís, os rodoviários do sistema semiurbano decidiram interromper suas atividades novamente nesta quarta-feira (4), apenas algumas horas após terem aceitado um reajuste salarial de 5,5%. Os trabalhadores afirmam que o aumento oferecido não atende suas expectativas e, por isso, cruzaram os braços uma vez mais, resultando em mais uma suspensão do serviço de ônibus na região.
A nova paralisação afeta não apenas São Luís, mas também as cidades de São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa, deixando os passageiros sem opções de transporte. Durante o início do protesto, por volta das 8h, os rodoviários se concentraram em frente ao Terminal de Integração da Praia Grande e, em seguida, bloquearam a avenida Beira-Mar, utilizando um ônibus como barreira. Essa ação gerou congestionamentos significativos na área.
Motivações da Greve
Os trabalhadores estão insatisfeitos com a proposta de reajuste, exigindo não apenas uma revisão no percentual oferecido, mas também uma série de benefícios adicionais, como maior segurança no trabalho e o fim do acúmulo de funções, onde motoristas também atuam como cobradores. A greve acontece em um momento de impasse nas negociações, e segundo os rodoviários, a decisão de parar foi tomada de maneira independente, mas já foi comunicada ao sindicato da categoria.
A Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB), até o fechamento desta matéria, não havia se manifestado sobre a nova paralisação. Este contexto se dá após um acordo que, inicialmente, parecia ter sido alcançado entre rodoviários, empresários do transporte e a MOB, referente ao reajuste salarial de 5,5% e outros benefícios, como aumento no tíquete alimentação e concessão de plano odontológico.
Acordo que Se Mostrou Insuficiente
O acordo que permitiu a volta dos ônibus nas primeiras horas do dia tinha sido resultado de uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região, onde foram discutidos não apenas o reajuste, mas também a inclusão de benefícios como seguro de vida e auxílio funeral. Durante as negociações, os rodoviários haviam solicitado um aumento de 10%. O Ministério Público do Maranhão sugeriu um percentual de 6%, enquanto os empresários ofereceram 4%. Por fim, o Tribunal fixou o reajuste em 5,5%.
Contudo, a insatisfação persiste entre os rodoviários, que enfatizam a necessidade de um aumento salarial mais significativo e a inclusão de mais dependentes nos planos de saúde. O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Marcelo Brito, reforçou que durante a primeira audiência na semana passada, foi apresentada uma contraproposta de 12% de reajuste, a qual os empresários prometeram considerar.
Contexto da Greve e Expectativas Futuras
A greve dos rodoviários, que foi iniciada na sexta-feira (30), teve seu impacto ampliado, afetando não apenas as linhas semiurbanas, mas também as urbanas. Mesmo após a decisão do TRT que estipulou a operação mínima de 80% da frota, a realidade tem sido a de 100% dos ônibus parados. Em resposta ao descumprimento da liminar, o tribunal estabeleceu uma multa diária de R$ 70 mil ao sindicato dos rodoviários, além de possíveis bloqueios de recursos financeiros da entidade.
Uma nova audiência está agendada para quinta-feira (5), onde será discutido o subsídio que a Prefeitura de São Luís paga ao Sindicato das Empresas de Transporte, além do reajuste do mesmo. A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) anunciou que os pagamentos estão em dia e que vouchers para corridas via aplicativos foram disponibilizados aos usuários do transporte público durante a greve.
A MOB, por sua vez, reafirmou que o subsídio estadual está sendo pago regularmente, deixando claro que as questões trabalhistas devem ser resolvidas entre as empresas operadoras e os rodoviários. A expectativa é que as partes envolvidas cheguem a um consenso em breve, permitindo que o serviço de transporte público na Grande São Luís seja restabelecido o quanto antes.
