A Tradição que Encanta e Viraliza
MANAUS (AM) – A dança cacuriá, tradicional do Maranhão, vem ganhando cada vez mais espaço nas redes sociais. Recentemente, o perfil Cacuriá do Candinho, vinculado a um grupo de Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís, vem atraindo a atenção de internautas com suas coreografias sensuais e alegres.
Conhecida pelo seu gingado característico, a apresentação do cacuriá celebra com fervor a rica cultura maranhense, conquistando admiradores tanto em território nacional quanto no exterior. Os vídeos compartilhados nas plataformas digitais revelam o vigor dos ensaios do grupo, que se originou na comunidade Zumbi dos Palmares. Fundado pelo influenciador Cândido Amorim, o Cacuriá do Candinho se destaca pela energia contagiante e pela habilidade dos integrantes, que promovem uma verdadeira festa cultural em cada performance.
Um Olhar para a História do Cacuriá
Com raízes que remontam à década de 1970 em São Luís, o cacuriá é atribuído ao folclorista Alauriano Campos de Almeida, carinhosamente chamado de “Seu Lauro”. Inicialmente ligado às festividades juninas, essa dança rapidamente se espalhou pela capital maranhense, tornando-se um ícone da dança popular do estado.
As apresentações são realizadas em duplas dentro de uma roda conhecida como “cordão”, onde os passos são marcados por rebolados, improvisos e uma interação vibrante com o público. Cada performance reflete elementos da cultura local, crenças e tradições, tornando a experiência singular e memorável.
Música e Ritmos que Envolvem
O cacuriá é uma dança que brinda os espectadores com um ritmo rico, que mescla influências de marchas, valsas e samba. As canções, chamadas de toadas, são executadas pelas caixeiras, que cantam sobre a natureza, tradições e anseios da população. Em geral, uma pessoa inicia a ladainha, e o grupo responde em coro, frequentemente improvisando versos que celebram a vivência do povo.
Os instrumentos que acompanham a dança incluem as Caixas do Divino, pequenos tambores feitos de couro de boi, além de banjo, violão, clarinete e flauta, que juntos criam um repertório diversificado e cativante.
Figurinos que Contam Histórias
Os trajes típicos do cacuriá são um espetáculo à parte: as mulheres adornam-se com saias longas e rodadas, complementadas por flores no cabelo, enquanto os homens vestem coletes ou roupas bordadas que harmonizam com as cores femininas. Essa riqueza estética é uma parte crucial da performance, que ainda incorpora outros ritmos populares da região, como Carimbó e Bumba-meu-Boi, além das celebrações do Divino Espírito Santo e as festividades juninas.
Reconhecimento e Impacto Cultural
O cacuriá foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Maranhão em 2018, com o dia 27 de junho estabelecido oficialmente para celebrar essa dança carismática. A viralização de vídeos nas redes sociais chegou a atrair a atenção internacional: uma professora da Pensilvânia, nos Estados Unidos, compartilhou no X a experiência de jovens que mantêm viva essa tradição, destacando que “aqui estão jovens praticando a apresentação do cacuriá, tradicional do estado do Maranhão, no nordeste do Brasil”.
