Tensões Entre Diretores Regionais e Estratégia Nacional
O Partido Social Democrático (PSD) tem se mostrado dividido em relação ao apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto o presidente do partido, Gilberto Kassab, tenta articular uma “terceira via”, a realidade nos estados revela uma outra dinâmica. Kassab anunciou a vinda de seis deputados estaduais do PSDB e um do Cidadania para o PSD a partir de 4 de março, além de contar com a presença do governador de Rondônia, Marcos Rocha, do União Brasil. No entanto, ele também sinalizou um apoio ao bolsonarismo, afirmando que, em um eventual segundo turno com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), estará ao lado do candidato. Jair Bolsonaro já indicou Flávio como pré-candidato do PL à Presidência.
A contradição na postura de Kassab expõe a divisão entre a estratégia nacional do PSD e as prioridades locais em busca de reeleições por meio de alianças regionais.
O Nordeste e o Apoio a Lula
No Nordeste, a maioria dos estados já se posiciona em favor do petista, mesmo que o PSD cogite lançar uma candidatura própria. Essa região é considerada estratégica para Lula, uma vez que o PT tem forte influência eleitoral. Dentro do partido, dirigentes reconhecem que não teria como enfrentar Lula, mesmo com um candidato próprio, devido à falta de unidade nacional.
No estado da Bahia, o senador Otto Alencar (PSD) reforçou que o partido “vai com Lula”, mantendo a aliança local em sintonia com Kassab. Em Pernambuco, André de Paula, ministro da Pesca e Aquicultura, é a principal liderança do PSD e um aliado declarado de Lula. No Ceará, o partido apoia o governador Elmano de Freitas (PT), e em Sergipe, o governador Fábio Mitidieri já declarou seu apoio ao petista.
No Piauí, o PSD é parte da base do governador Rafael Fonteles (PT), e Lula apoia o deputado Júlio César (PSD) como candidato ao Senado na chapa com Fonteles. Em Alagoas, Luciano Amaral, líder do partido, também se manifesta a favor de Lula. Por outro lado, no Maranhão, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), adota uma postura neutra, mas é visto como um potencial aliado do governo.
Minas Gerais e São Paulo: Cenários Opostos
A divisão interna do PSD se torna ainda mais evidente em Minas Gerais, onde o cenário é contrário ao apoio a Lula. O governador Romeu Zema (Novo) está se preparando para deixar o cargo e concorrer à Presidência, enquanto seu vice, Mateus Simões (PSD), já iniciou diálogos para lançar sua própria candidatura ao governo do estado. Simões é próximo da ala bolsonarista, incluindo o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Além disso, o senador Rodrigo Pacheco, atualmente no PSD, está em negociação para se filiar ao União Brasil, e essa mudança já está em andamento, com sua candidatura ao governo de Minas sendo uma possibilidade forte. Lula já manifestou apoio a Pacheco, destacando a importância do estado em sua reeleição. “Vamos ganhar as eleições de Minas Gerais outra vez. Eu ainda não desisti de você, Pacheco”, afirmou o presidente.
Em São Paulo, o PSD busca um espaço próximo ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Kassab, que ocupa a Secretaria da Casa Civil paulista, chegou a ser cogitado como vice na chapa de Tarcísio. Atualmente, o vice-governador é Felício Ramuth (PSD), o que posiciona a sigla de forma estratégica na administração estadual. Há pressão do bolsonarismo para que Tarcísio se filie ao PL, mas membros do PSD reconhecem que, mesmo diante desse cenário, o foco é garantir visibilidade e sobrevivência política no maior colégio eleitoral do país.
Embora o partido tenha crescido, a falta de unidade política nacional persiste. Atualmente, o PSD conta com seis governadores, possui a segunda maior bancada no Senado e foi o partido que mais elegeu prefeitos em 2024. Essa realidade mostra que, apesar das divisões, o PSD se posiciona como uma força significativa no cenário político brasileiro.
