Reflexões sobre as delícias e desafios do Carnaval
Ruth de Aquino analisa a relação entre descanso e folia no Carnaval, destacando como as prioridades mudam com o tempo. Para muitos, o Carnaval é sinônimo de festa, alegria e, claro, muito samba. No entanto, essa perspectiva pode mudar à medida que a idade avança. Lembrando de sua infância em um bairro do Centro-Oeste, onde as celebrações eram mais modestas, Ruth revela que sua experiência como foliã se intensificou com os anos, especialmente em sua passagem pela vibrante Bahia. Ao recordar os tempos de pura energia nos trios elétricos, a autora se depara com a realidade de que a festa agora demanda maior cuidado.
A sensação de reviver momentos gloriosos do passado é acompanhada por desafios físicos inesperados. Após algumas caipirinhas de seriguela, o corpo parece gritar por socorro, lembrando que a juventude já não é a mesma. ‘Pular agarrada ao trio elétrico é uma experiência única, mas depois dos 40, as energias precisam ser melhor administradas’, reflete Ruth. A autora destaca a necessidade de se preparar para o Carnaval, como hidratar-se adequadamente e saber reconhecer seus limites.
O Carnaval e seus desafios
Em cidades como o Rio de Janeiro, a jornada carnavalesca torna-se ainda mais complicada. Sair de um bloco às seis da manhã e ainda estar animada para a Sapucaí à noite é uma missão que poucos conseguem cumprir. A autora compartilha suas experiências, enfatizando que a beleza da festa pode ser uma armadilha cansativa. ‘Após horas de folia, você acaba se perguntando onde foi que se meteu’, diz Ruth, com um toque de humor. E, assim, ela descobre que os banheiros químicos não são amigos de ninguém, especialmente quando se está em busca de conforto.
Os desfiles de escolas de samba, por outro lado, são uma paixão à parte. A emoção de ver as alegorias e a dedicação dos participantes no sambódromo é algo que nunca sai de moda. No entanto, a autora também menciona os desafios de desfilar, descrevendo sua única experiência como uma verdadeira maratona. ‘Ganhei uma fantasia incrível, mas percebi que meu rosto era tudo o que apareceria enquanto rodava para ‘embaralhar as cartas’. No fim da noite, a única coisa que eu ganhei foi labirintite’, relata Ruth com bom humor.
O Carnaval em Olinda e a realidade da idade
Ao falar sobre Olinda, a autora destaca a beleza da cidade histórica e sua relação com a alegria popular. Contudo, a verticalidade e as ladeiras da cidade se tornam um cenário desafiador. ‘Após um dia de folia em Olinda, você descobre que não apenas pulou o carnaval, mas fez o cardio da semana’, brinca. Para a autora, a experiência exige uma preparação física que nem todos estão dispostos a encarar.
O reconhecimento de que a idade não combina com a fantasia de ‘inimiga do fim’ resulta em uma nova perspectiva sobre a folia. Ruth fala sobre suas escolhas: ‘Em um carnaval, eu prefiro descansar a me esgotar na festa’. Assim, o ato de descansar durante o Carnaval se transforma em uma forma de resistência e uma decisão consciente. A autora observa que, enquanto suas amigas se ocupam em comprar roupas novas para a folia, ela pondera sobre a importância de preservar sua energia.
Um ano de Carnaval
A autora culmina suas reflexões compartilhando seus planos para este ano. Com uma filha de 16 anos animada para se jogar nos blocos, Ruth decide fugir e inventa uma viagem em família. ‘Às vezes, o melhor carnaval é aquele que acontece longe da folia, em um ambiente de tranquilidade’, conclui. Assim, ela nos convida a repensar o que significa realmente celebrar, sugerindo que descansar no Carnaval pode ser, de fato, um ato revolucionário, onde priorizar o bem-estar se torna a verdadeira forma de aproveitar a festa.
