Desastre Ambiental na Vila Maranhão
Em São Luís, moradores da Vila Maranhão vivem uma situação alarmante. Recentemente, diversas famílias foram forçadas a abandonar suas casas devido a problemas de saúde associados ao odor intenso de fertilizantes que foram despejados de forma irregular na região. Os relatos incluem coceiras na pele, agravamento de doenças respiratórias e um desconforto constante que afeta o dia a dia dos residentes.
A situação é ainda mais preocupante com o aumento da poeira na área, manchas visíveis na vegetação e uma alteração na coloração da água, que agora apresenta um tom esverdeado. A Justiça, após verificar a gravidade do problema, determinou a remoção emergencial dos moradores, reconhecendo o risco ambiental presente no local.
Impactos dos Fertilizantes na Saúde
O geólogo Marcelino Farias comenta que fertilizantes como sulfato de amônia e ureia podem liberar gases nocivos à saúde humana, cujos efeitos prejudiciais podem aparecer tanto a curto quanto a longo prazo. Ele ressalta a urgência em lidar com a situação para preservar a saúde da comunidade.
Medidas Adotadas pelo Ministério Público
Diante do cenário alarmante, o Ministério Público do Maranhão (MP-MA) agiu rapidamente. Na quinta-feira (5), a Justiça acatou um pedido do MP-MA, concedendo uma medida liminar que reconhece um desastre ambiental ativo na Vila Maranhão. O vazamento de produtos químicos tóxicos, incluindo sulfato de amônia e ureia, foi identificado como originário da empresa Valen Fertilizantes e Armazéns Ltda.
A notificação ao MP-MA, recebida na última terça-feira (3), foi confirmada por um relatório da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e por autos de notificação e embargo expedidos pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação (Semurh). O relatório técnico n° 10/2026 da Sema apontou que o vazamento teve como causa maquinários recém-adquiridos, que estavam desprotegidos e, com as chuvas, o material tóxico se espalhou pela área residencial.
Decisão Judicial para a Retirada dos Moradores
Com a determinação da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, a empresa Valen Fertilizantes foi intimada a realocar as famílias afetadas em até 24 horas, garantindo hospedagem em hotéis ou imóveis alugados por, no mínimo, 30 dias. A delimitação da área de risco ficará a cargo da Defesa Civil e da Sema, que também exigiu o fornecimento de água potável de qualidade aos moradores.
Além disso, a Justiça requer que, em até cinco dias, a Valen disponibilize uma equipe multidisciplinar composta por médicos, psicólogos e assistentes sociais, além de arcar com os custos de exames clínicos e toxicológicos para os afetados. O plano judicial inclui ainda a retirada imediata de maquinário contaminado e a instalação de barreiras físicas em até 48 horas, além de um plano de contingência a ser apresentado em até 10 dias. A empresa está proibida de reiniciar qualquer atividade relacionada a fertilizantes até a obtenção de autorização das autoridades competentes.
Vistorias e Monitoramento Contínuo
Uma nova vistoria foi agendada para esta terça-feira (10), conforme anunciado pela Sema. Uma equipe técnica acompanhará a remoção do material contaminado da área. Inicialmente, foi constatado que o odor dos fertilizantes já não estava presente.
A Sema emitiu uma nota informando que vem tomando diversas medidas em relação ao caso na Vila Maranhão, incluindo a identificação da fonte de contaminação e garantindo que esta fosse interrompida. Vistorias foram realizadas para avaliar os danos, com a coleta de água em pontos críticos. Através de autos de notificação, a empresa responsável foi instruída a mitigar os danos e providenciar a retirada dos moradores até a recuperação total da área.
As ações de monitoramento continuam, e a expectativa é que a nova vistoria traga atualizações sobre a situação ambiental. A Valen Fertilizantes, até o momento, optou por não se pronunciar sobre os acontecimentos.
