A emotiva conexão entre arte e samba durante o desfile da Vila Isabel
Desde sua infância, Mulambö está imerso no universo do carnaval, começando pelos desfiles de rua em sua cidade natal, Saquarema, e posteriormente em São Gonçalo com a Acadêmicos do Sossego, que retornou à Série Ouro após se apresentar no Grupo Especial neste ano. Em 2022, a emoção já havia tomado conta do artista na Sapucaí, onde desfilou entre os convidados dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora para o enredo “Fala, Majeté! Sete chaves de Exu”, que rendeu à Grande Rio seu único título. Este ano, a atmosfera carregada de emoção se repetiu, desta vez com uma homenagem a um dos maiores ícones das artes visuais do Brasil, Heitor dos Prazeres, no enredo “Macumbembê, samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África”, que conquistou o terceiro lugar no carnaval carioca e retorna à Passarela do Samba.
Munido de um novo convite de Haddad e Bora, que mudaram a tricolor de Caxias pela azul e branca da Vila Isabel, Mulambö se apresentou sobre um tripé denominado “Ganhando o mundo”, enfeitado com obras icônicas de Heitor, incluindo um autorretrato de 1965 que foi destaque na capa do catálogo da retrospectiva “Heitor dos Prazeres é meu nome” (CCBB-RJ, 2023). Durante os 77 minutos de desfile da Vila, Mulambö se dedicou a pintar um retrato do mestre, capturando a essência do momento.
“O convite inicial era para desfilar, mas conforme fomos desenvolvendo a ideia, decidimos incorporar a pintura ao vivo, lidando com as dificuldades técnicas, como equilibrar a emoção, a empolgação e o tempo do desfile”, detalha Mulambö. O artista revela que ele havia preparado um desenho a lápis como base antes do desfile, mas optou por pintar livremente sobre o rascunho. “Acredito que essa abordagem se comunicava melhor com o momento, acompanhando o balanço do carro e o ritmo do samba, permitindo espaço para brincar, cantar e sambar ao mesmo tempo”.
Com a aproximação do Sábado das Campeãs, Mulambö ainda não definiu se irá utilizar a tela que pintou durante o primeiro desfile ou se criará uma nova obra. No entanto, uma coisa é certa: o artista está ansioso para celebrar o que a Vila Isabel apresentou na Sapucaí.
“Ainda estou decidindo se vou mostrar a pintura antiga ou se vou fazer algo novo na hora, mas já sei que estarei lá me divertindo, orgulhoso do que a Vila conquistou, honrando o legado de Heitor dos Prazeres e reencontrando o orgulho da comunidade”, afirma o artista. “Este carnaval foi uma reconexão, que se alinhou perfeitamente com a identidade da escola. Minha primeira experiência como destaque no enredo do Exu foi incrível, e agora sinto outra emoção ao retornar a esse palco sagrado para representar o legado de Heitor, que é fundamental para as artes e a cultura do carnaval”.
