Retorno às Aulas no Rio Grande do Sul
Nesta quarta-feira, dia 18 de janeiro, os alunos do Rio Grande do Sul voltam às aulas, com milhares de escolas nas três principais redes de ensino— estadual, municipal e privada— reiniciando suas atividades. Cidades como Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas são algumas das localidades que receberão os estudantes após o recesso. Para quem reside em Gravataí, o retorno acontece na quinta-feira, dia 19, enquanto Canoas inicia suas aulas na sexta-feira, 20.
Outros municípios, como Rio Grande, Bagé e São Leopoldo, têm o retorno programado para segunda-feira, dia 23. Vale ressaltar que algumas instituições da rede estadual também retomarão as atividades nessa data, devido a reformas em andamento ou questões relacionadas ao transporte escolar.
Mudanças na Gestão do Ensino Fundamental
Em Porto Alegre, o início do ano letivo é marcado por significativas mudanças na administração do Ensino Fundamental. Está sendo implementada a transferência gradual da gestão dos anos iniciais— do 1º ao 5º ano— para a administração municipal, enquanto os anos finais— do 6º ao 9º ano— passam sob responsabilidade do governo estadual. Essa reorganização visa melhorar a qualidade do ensino e a gestão administrativa nas escolas.
Aumento nas Matrículas na Rede Estadual
Segundo um balanço preliminar da Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul (Seduc), cerca de 700 mil alunos estão matriculados na rede estadual, número que se manteve estável em relação ao ano anterior, desafiando as expectativas de redução gradual de alunos devido à diminuição da taxa de natalidade. A secretária da Educação, Raquel Teixeira, destacou que “são pelo menos 26 mil novas matrículas que não esperávamos, resultando em um aumento de pelo menos 18% nas inscrições”. A rede estadual conta com 2,3 mil instituições que atendem todos os níveis da Educação Básica.
Um dos principais objetivos da Seduc é ajustar a alocação de professores, já que atualmente a rede possui cerca de 39 mil educadores, entre efetivos e temporários. A secretária também anunciou que cerca de 6 mil novos professores, que foram aprovados em concurso realizado em 2025, devem ser chamados a partir de maio, logo após a publicação do edital em abril.
Desafios na Infraestrutura Escolar
Entretanto, a rede enfrenta desafios, como a carência de merendeiras e problemas estruturais causados por desastres climáticos. Seis escolas estaduais ainda funcionam em locais provisórios devido às enchentes que afetaram a região. Estão em andamento obras para a construção de novas instalações, e algumas já têm reformas sendo realizadas em seus prédios originais.
As ondas de calor, que atrasaram o início do ano letivo anterior, continuam sendo um desafio. Embora o Rio Grande do Sul tenha 48% de suas salas de aula climatizadas— um índice superior à média nacional de 38%— isso ainda representa menos da metade das escolas.
Expansão do Tempo Integral nas Escolas
Para o ano de 2026, 529 escolas estaduais oferecerão o modelo de tempo integral, que abrange de sete a nove horas de aulas diárias. Isso representa 23% das 2,3 mil escolas estaduais, sendo 432 delas voltadas para o Ensino Médio e 202 para o Ensino Fundamental. Contudo, o número ainda está abaixo da meta do governador Eduardo Leite, que propôs que 50% das escolas de Ensino Médio adotassem essa modalidade até 2026. Com a ampliação prevista, o índice deve atingir 39% este ano.
Retorno das Escolas Particulares
O Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe/RS) publicou que a maioria das escolas particulares também retorna às atividades nesta quarta-feira. A expectativa é que haja um crescimento de aproximadamente 3% nas matrículas, com cerca de 496 mil alunos voltando às aulas. As instituições particulares contam com mais de 38 mil professores, de acordo com o Censo da Educação Básica do Ministério da Educação (MEC).
Mudanças na Rede Municipal de Porto Alegre
Na Capital, as aulas na rede municipal também têm início nesta quarta-feira, com 87,3 mil alunos retornando às 102 escolas próprias e 221 parceiras. Em 2025, esse número era de 88,9 mil estudantes. A Secretaria Municipal de Educação (Smed) está empenhada em assegurar que todas as escolas tenham um número adequado de professores para atender cada série e disciplina, tendo reforçado a equipe pedagógica com a nomeação de servidores aprovados em concursos vigentes e reorganização das equipes diretivas.
O retorno às aulas acontece em um cenário de mudanças devido ao processo de municipalização. Assim, os alunos que deveriam ingressar no 1º ano em 2026 na rede estadual passarão a ser atendidos pelas escolas municipais. Esse processo continuará em 2027, quando os alunos do 2º ano também serão transferidos para a rede municipal. Futuramente, a rede estadual ficará responsável pelo Ensino Médio e Anos Finais do Ensino Fundamental, enquanto o município ficará encarregado da Educação Infantil e dos Anos Iniciais. Muitas famílias estão se adaptando a essa nova dinâmica, tanto na logística quanto nos aspectos pedagógicos.
A Smed também informa que está em andamento a busca ativa dos alunos ainda não matriculados no 6º ano, e o segundo período de designação de vagas na Educação Infantil continua. Até o dia 27 de fevereiro, as crianças que não foram contempladas e ficaram como suplentes serão designadas para as respectivas escolas, com a prefeitura comunicando as famílias sobre as atualizações.
