Uma Oportunidade Única de Apreciação Cultural
Em Nova Iguaçu, no estado do Rio de Janeiro, o público pode mergulhar em uma experiência sensorial sem igual na exposição “Arte & Devoção – A escultura religiosa no Brasil colonial”. Com entrada gratuita, a mostra fica em cartaz até o próximo dia 31 e está sendo realizada na Casa de Cultura Ney Alberto, um espaço que combina história, beleza e a valorização do patrimônio cultural. A exposição traz um impressionante acervo de 350 peças sacras, incluindo seis obras atribuídas ao renomado artista Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, cuja genialidade é reconhecida até hoje.
É interessante notar que a realização dessa mostra fora dos tradicionais eixos culturais do país representa um grande mérito para a prefeitura local, que se encarregou de toda a organização, montagem e desenvolvimento de um catálogo ilustrativo que inclui fotos e descrições das obras expostas.
O secretário Municipal de Cultura de Nova Iguaçu, Marcus Monteiro, também colecionador de arte, destacou a importância das peças apresentadas, afirmando que elas são inéditas para o público, pois pertencem a colecionadores de diversos estados do Brasil. “Esses objetos possuem procedência comprovada e, em muitos casos, revelam a forte influência da arte europeia na produção mestiça da época. Pessoalmente, sou um grande admirador do Barroco mineiro, e Aleijadinho é um nome que fala por si só”, comentou Monteiro, que foi presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) por uma década.
Exploração de um Patrimônio Rico e Diversificado
A exposição já atraiu mais de mil visitantes e, segundo Monteiro, os participantes têm a oportunidade rara de fazer uma viagem no tempo, explorando a arte colonial produzida entre os séculos 16 e 19 por artistas de origem brasileira, portuguesa, espanhola e até mesmo indiana, sob influência da antiga possessão portuguesa em Goa. “Desde a mostra ‘Brasil 500 anos’, em 2000, não víamos uma coleção tão ampla e representativa. Este era o momento certo para realizá-la”, enfatizou o secretário, que divide a curadoria com o conservador-restaurador Erick Marques Ferreira e o museólogo Rafael Azevedo.
A curadoria levou mais de quatro meses, com uma seleção criteriosa das peças que fazem parte do acervo de colecionadores respeitados, incluindo obras da Diocese de Nova Iguaçu. Rafael Azevedo ressaltou que a exposição apresenta um mosaico temático com uma linha do tempo que ilustra a chegada dos colonizadores portugueses e seu impacto na cultura local.
Um Espetáculo de Fé e Criatividade
Dividida em cinco ambientes ao longo dos andares do casarão centenário, “Arte & Devoção” destaca obras de grandes mestres mineiros. Entre as peças mais impressionantes está a escultura de Nossa Senhora do Carmo, datada do século 18, que pertence a uma coleção particular em Brasília. Marcus Monteiro compartilhou que esta imagem, que possui 87 centímetros de altura, teve sua história registrada no catálogo da exposição, incluindo uma fotografia da filha de antigos proprietários segurando a estátua em sua infância.
A exposição apresenta uma variedade de materiais, como madeira, barro, marfim, pedra e chumbo, refletindo a diversidade e riqueza da arte sacra mineira. “Todo o investimento na mostra é realizado pela Prefeitura de Nova Iguaçu, sem parcerias ou patrocínios”, enfatiza Monteiro, que se mostra orgulhoso do evento.
Reflexões sobre a Cultura e a Identidade
Ao visitar a exposição, Pedro Reis Pereira, um médico de Macaé, expressou seu encantamento com a qualidade das obras. “Vim a Nova Iguaçu especialmente para ver essa mostra, que superou minhas expectativas. A riqueza dos detalhes é impressionante”, comentou. Outro visitante, o fisioterapeuta Wagner Freitas de Lima, elogiou a localização da mostra, ressaltando a importância de trazer obras de tamanha relevância para a Baixada Fluminense.
Marcus Monteiro também destacou que um dos objetivos da exposição é desvincular a imagem de Nova Iguaçu do estigma de violência que a cidade enfrenta. Para ele, a arte tem o poder de ressignificar a identidade da região, que possui uma rica história, como a do Caminho do Comércio, que ligava Minas Gerais ao Rio de Janeiro.
Uma Experiência Enriquecedora para Todos
Além da imagem de Nossa Senhora do Carmo, a mostra expõe outras peças notáveis atribuídas a Aleijadinho, incluindo São Sebastião, Santa Teresa de Ávila e Nossa Senhora das Mercês. A diversidade de artistas presentes, como o Mestre Valentim, que deixou um legado significativo em obras em madeira, metal e pedra, enriquece ainda mais a experiência dos visitantes. Eva Lúcia da Silva, uma dona de casa que visitou a exposição com seu filho, destacou a importância de unir arte e fé, enquanto seu filho Davi elogiou as legendas que ajudam na compreensão das obras.
A diversidade da arte sacra em Minas Gerais, segundo Monteiro, deve-se à descoberta do ouro e à presença de santeiros populares. “No final do século 18 e boa parte do 19, imagens eram confeccionadas em pedra-sabão, destinadas ao culto doméstico. As devoções mais populares incluem Nossa Senhora da Conceição e Santo Antônio”, explicou.
A exposição “Arte & Devoção” não só ativa os sentidos, mas também a reflexão sobre nossa história e tradições. Com um acervo vasto e diversificado, a mostra é uma oportunidade imperdível para aqueles que desejam se aprofundar na rica herança cultural brasileira.
Detahes da Exposição
“Arte & Devoção – A escultura religiosa no Brasil colonial” está aberta ao público até 31 de janeiro na Casa de Cultura Ney Alberto, situada no Complexo Cultural Mário Marques, em Nova Iguaçu. O espaço fica na Rua Getúlio Vargas, 51, próximo à estação de trem metropolitano. O horário de funcionamento é de terça a sábado, das 10h às 17h. A entrada é gratuita, permitindo que todos tenham acesso a essa rica experiência cultural.
