Conflito na FMF: Audiência de Conciliação
A crise na Federação Maranhense de Futebol (FMF) ganhou um novo desdobramento nesta segunda-feira, 16 de outubro. Durante uma audiência de conciliação realizada remotamente, sob a condução do juiz Douglas de Melo Martins, as partes envolvidas – CBF, Ministério Público, intervenção atual e representantes dos clubes – não conseguiram chegar a um acordo que encerrasse o processo de intervenção que já dura mais de sete meses. O ex-presidente Antônio Américo também participou da sessão de forma remota.
O principal objetivo da audiência era estabelecer um cronograma para a realização de novas eleições, mas a falta de consenso entre a CBF e os demais envolvidos fez com que a situação fosse novamente remetida ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Conciliação Parcial e Expectativas dos Clubes
A promotora de Defesa do Consumidor, Doracy Reis, representando o Ministério Público (MPMA), ressaltou que, embora não tenha havido um acordo total, uma conciliação parcial foi alcançada envolvendo o sindicato dos atletas e clubes como o Sampaio Corrêa. Segundo ela, o trabalho realizado pela interventora Susan Lucena foi crucial para a identificação de irregularidades administrativas e financeiras dentro da FMF.
“Reconhecemos que pode haver uma cointervenção entre a CBF e a interventora que aqui está, pois o trabalho da equipe de intervenção trouxe resultados significativos, organizando as questões financeiras e promovendo avanços no futebol maranhense”, afirmou a promotora.
Para o MP, manter a estrutura atual em colaboração com a CBF seria o ideal para organizar o pleito eleitoral. No entanto, essa visão enfrenta resistência devido a uma “interpretação equivocada” por parte da entidade nacional.
Por outro lado, a percepção entre os clubes é de urgência. Perez Paz, advogado e vice-presidente do Sampaio Corrêa, enfatizou que o setor busca uma solução rápida para melhorar a comunicação com a CBF. “Inicialmente, propusemos que a nova eleição ocorresse em 30 dias, mas aceitamos o prazo de 75 dias para tentar um consenso”, explicou.
Apesar disso, Perez lamentou que a CBF e outras partes tenham rejeitado a proposta no momento, citando questões processuais pendentes. “Os clubes estão enfrentando dificuldades pela falta de diálogo e comunicação com a CBF. O que desejamos é que essa situação se resolva o mais rápido possível, para que a federação seja regularizada”, completou.
Posição da CBF e Próximos Passos
A CBF mantém sua posição contrária à gestão compartilhada, argumentando que as normas da FIFA exigem total autonomia das federações e proíbem interferências externas, sob risco de sanções internacionais aos clubes brasileiros e à Seleção.
Agora, o relatório resultante da audiência será enviado ao ministro Flávio Dino. O magistrado do STF poderá decidir o futuro da FMF imediatamente ou optar por aguardar uma nova audiência de conciliação, prevista para o dia 26 de maio, às 9h. Enquanto isso, a FMF permanece sob a gestão de Susan Lucena, que continua à frente das competições estaduais e torneios de base.
