Celebrando a Cultura Afro-Brasileira
O Movimento Antirracista Sorocabano (MAS) promove, neste sábado (21), a estreia do Bloco do MAS, que se destaca como o primeiro bloco de carnaval com temática antirracista da cidade de Sorocaba, em São Paulo. O desfile ocorrerá na Avenida Doutor Eugênio Salerno, no coração do Centro, com a missão de celebrar a cultura afro-brasileira, a diversidade e a mobilização social, enfatizando a visibilidade da comunidade negra nas ruas da cidade.
Com entrada franca, o evento é organizado de maneira independente pelo MAS, que desde 2021 vem desenvolvendo iniciativas voltadas para a educação antirracista, mobilização comunitária e valorização de artistas negros e periféricos. A proposta do bloco surgiu do desejo do coletivo de criar um espaço durante o carnaval onde a alegria, potência e leveza da cultura afro-brasileira pudessem ser celebradas em sua plenitude, como explica sua organizadora, Giovanna Souza Pereira.
“O carnaval, culturalmente, é uma festa preta. Ele surgiu da criatividade, resistência e expressão do nosso povo. Contudo, ao longo do tempo, essa origem foi frequentemente relegada ao esquecimento. Portanto, trazer um bloco antirracista para Sorocaba é também uma forma de restaurar essa narrativa, destacando que a cidade pode e deve honrar essa herança com respeito e consciência”, afirma Giovanna.
Um Espaço de Afirmação e Resistência
Historicamente, os blocos e ritmos populares servem como plataformas de afirmação de identidade e resistência. Em Sorocaba, essa presença se reflete em diversos eventos que celebram a música, a arte e a herança africana. O Bloco do MAS tem o objetivo de representar essa memória, reforçando a ocupação das ruas como um ato de afirmação histórica.
“Percebemos que, quando se fala da população preta, as manchetes geralmente trazem dor, violência e outras narrativas negativas. Embora isso faça parte da realidade, não define completamente quem somos”, comenta Giovanna, destacando a necessidade de mostrar o lado da festa, criatividade, música, união e ancestralidade.
“Alegria também é política. E celebrar é um ato revolucionário”, complementa. Assim, o bloco não só celebra a cultura afro-brasileira, mas também se posiciona como um espaço inclusivo que acolhe a comunidade LGBTQIA+, pessoas trans, não binárias e todos que defendem um carnaval mais diverso e representativo.
Uma Festa de Música e Identidade
Com uma expectativa de público de 500 pessoas, a concentração do Bloco do MAS está marcada para às 18h, também na Avenida Doutor Eugênio Salerno. O evento contará com apresentações dos artistas MC Aprile, Murilo Orum e DJ Barbosa, com o desfile previsto para começar às 20h30, seguindo em direção à Rua Frei Baraúna, com encerramento programado para as 22h.
O repertório incluirá ritmos como samba-reggae, axé clássico, pagode baiano e marchinhas afro-brasileiras, além de releituras de clássicos do carnaval. A proposta é criar um ambiente festivo que não apenas celebre a identidade afro-brasileira, mas que também amplie a diversidade cultural da cidade.
“Já discutíamos isso há algum tempo, pois sentíamos que faltava na cidade um bloco que realmente dialogasse com nossas vivências. Finalmente, este ano tudo se alinhou, como se várias peças tivessem se encaixado ao mesmo tempo”, conclui Giovanna, ressaltando que a iniciativa pode abrir portas para novos coletivos. “O primeiro movimento sempre inspira. Quando as pessoas veem um bloco que celebra a cultura preta e mantém um compromisso claro com o antirracismo, isso encoraja outros grupos a tirarem suas ideias do papel”, argumenta.
