Uma Revelação da cultura maranhense
Com o aroma inconfundível de canjica e milho cozido no ar, o Bumba Meu Boi, uma das expressões culturais mais emblemáticas do Brasil, desembarca em Belo Horizonte nesta quinta-feira (30). A festa junina, celebrada anualmente durante os meses de junho e julho, promete encantar os mineiros com uma amostra da tradição que vem diretamente dos arraiais de São Luís, no Maranhão, para o Mercado Central da capital mineira.
O personagem central da celebração, o boi, é adornado com um rico pano bordado e colorido, ostentando chifres e cauda, e representa a essência da cultura maranhense, que mescla história, fé, música e dança. Segundo Socorro Araújo, secretária de Estado de Turismo do Maranhão, “o Bumba Meu Boi resgata a história do povo maranhense, marcada pela mistura de culturas indígenas, quilombolas e brancas”. Além de seu valor histórico, essa manifestação cultural possui raízes religiosas, surgindo como uma forma de agradecimento a São João, São Pedro e São Marçal.
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A origem do Bumba Meu Boi remonta ao período colonial, quando um fazendeiro tinha grande apreço por seu boi, que acabou sendo sacrificado por um casal que desejava comer a língua do animal. A morte gera confusão e tristeza na comunidade, até que um curandeiro intervém e ressuscita o boi, dando vida a essa interessante narrativa que embala a festa. Socorro destaca que o Bumba Meu Boi é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco e se manifesta através de cinco estilos ou “sotaques”, cada um com características únicas em termos de vestuário, música e número de participantes.
Os Sotaques e a Preparação
As apresentações do Bumba Meu Boi envolvem entre 80 a 400 integrantes, que se dividem entre a encenação da história, danças e músicos. Por exemplo, no sotaque do boi de matraca, os matraqueiros, que tocam dois pedaços de madeira, são fundamentais para criar o ritmo da apresentação. A preparação para essa grande celebração começa com os ensaios, conhecidos como “guarnicê”, que têm início no Sábado de Aleluia.
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“Antigamente, os ensaios ocorriam apenas nas casas dos donos dos bois, mas hoje em dia se expandiram para praças e clubes, permitindo que o público participe do início dessa bonita tradição”, explica Socorro. Os ensaios são tão significativos que se estendem até o dia de Santo Antônio, quando acontecem os batizados do boi, momentos marcantes da festividade.
Divulgação e Impacto Turístico
Visando promover essa rica tradição, o governo do Maranhão organiza apresentações em diversos estados ao longo do ano. “A Secretaria Estadual do Turismo realiza roadshows e participa de várias campanhas em Belo Horizonte para que os turistas mineiros conheçam melhor a cultura maranhense”, afirma Socorro, que observa que Belo Horizonte é um dos principais pontos de origem dos turistas que visitam o Maranhão durante as festas juninas.
O apelo turístico é notável, com um grande número de visitantes provenientes de Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. No ano passado, o São João do Maranhão gerou cerca de R$ 415 milhões. Para este ano, a programação no Mercado Central acontece das 10h às 13h, contando com a apresentação dos grupos folclóricos na entrada principal. “Essa apresentação tem o intuito de mostrar aos mineiros a beleza da cultura maranhense e o entusiasmo do seu povo; é um espetáculo imperdível”, conclui Socorro.
Após sua passagem por Belo Horizonte, o Bumba Meu Boi seguirá para São Paulo, onde se apresentará na Avenida Paulista no dia 4 de maio, aumentando ainda mais a visibilidade dessa tradição rica e cheia de vida.
