Busca por Crianças Desaparecidas em Bacabal
As operações para localizar as crianças Ágata Isabelle, de 5 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidas há sete dias em Bacabal, no Maranhão, foram intensificadas neste sábado, 10 de junho. A concentração dos esforços de busca se deu na área de um lago local, após um relato do primo de 8 anos, que contou ter deixado os dois no local enquanto ia em busca de ajuda.
O menino, que está internado e sob o cuidado de psicólogos, explicou que o grupo havia passado por um lago antes de ele partir sozinho para pedir socorro. Ele foi encontrado na quarta-feira, 7 de junho, e seu testemunho é fundamental para a investigação do caso.
A região onde as buscas estão concentradas possui aproximadamente 15 km² e fica entre o Quilombo de São Sebastião dos Pretos e o Povoado de Santa Rosa, local onde o primo foi encontrado, a cerca de 4 km do ponto onde as crianças desapareceram.
Segundo informações do tenente-coronel Marcos Bittencourt, a área é caracterizada por um terreno irregular, com vegetação densa e escassas trilhas, que dificultam o acesso. A falta de energia elétrica e a presença de armadilhas, comumente instaladas por caçadores, representam riscos adicionais para as equipes envolvidas na busca.
Reforço nas Buscas com Exército e Bombeiros
Na noite de sexta-feira, 9 de junho, uma equipe do Exército Brasileiro, juntamente com o Batalhão Ambiental da Polícia Militar, se uniu às operações de busca. No total, são 26 militares do Batalhão de Infantaria de Selva de São Luís e 15 policiais do Batalhão Ambiental, totalizando mais de 200 agentes de segurança envolvidos nas buscas, incluindo bombeiros e muitos voluntários.
O governador do Maranhão, Carlos Brandão, anunciou que o Exército e o Batalhão Ambiental estão atuando em conjunto com as forças de segurança estaduais, utilizando técnicas específicas e equipamentos apropriados para cobrir uma área maior nas buscas. “Estamos trabalhando incessantemente para localizar as crianças e minimizar o sofrimento da família e da comunidade”, explicou o governador.
Mobilização da Comunidade Local
Centenas de voluntários têm se juntado às forças de segurança na busca pelos irmãos desaparecidos desde o último domingo, 4 de junho. A cada dia, novos voluntários chegam para apoiar as operações. Entre eles, Juscelino Morais, pedreiro, disse que veio de um povoado distante 40 km para ajudar: “Estamos aqui na esperança de encontrar as crianças vivas; viemos em um grupo de 50 pessoas e vamos continuar até a noite”, afirmou.
Antônio Pereira Brito, encarregado de obras, também se soma aos esforços: “Quem é pai sabe como é difícil. Estamos aqui para dar força à comunidade”. Pedro Ferreira, pescador local, expressou sua esperança dizendo: “A vontade de encontrá-las é enorme. Vamos continuar a busca.”
Os moradores que conhecem melhor a região auxiliam os voluntários a encontrar trilhas e caminhos. “Jovens da comunidade se lembraram de uma antiga estrada que pode levar a São Sebastião dos Pretos. Queremos explorar essa rota”, explicou um voluntário.
Condições do Terreno e Riscos na Busca
A vegetação da área rural de Bacabal é densa, composta por pastos e açudes, conforme o Corpo de Bombeiros. Além disso, a presença de serpentes e outros animais silvestres aumenta a dificuldade das operações. O tenente-coronel Marcos Bittencourt apontou que o terreno é irregular, apresentando diferentes tipos de vegetação. Parte da área é coberta por pastagens, enquanto outra possui vegetação mais densa, o que torna a busca ainda mais desafiadora.
Com o uso de drones equipados com câmeras térmicas, as equipes tentam localizar as crianças desaparecidas. Helicópteros do Centro Tático Aéreo estão sendo utilizados para transportar policiais para as áreas mais remotas, onde o acesso é limitado. “Estamos avançando em direções opostas ao ponto de onde o menino de 8 anos foi encontrado, buscando a maior cobertura possível”, comentou o coronel Wallace Amorim.
Estado de Saúde e Esperança da Família
O menino que foi encontrado, Anderson Kauan, de 8 anos, segue internado e em observação. De acordo com relatos, ele estava debilitado e teve que ser levado a um hospital após ser resgatado por produtores rurais. Em uma entrevista, um dos colaboradores do resgate mencionou que o garoto mal conseguia falar e apenas pediu água assim que foi encontrado.
Na quinta-feira, 9 de junho, o avô de Ágata, Oswaldo, expressou sua angústia, mas também sua esperança. “É o que nos mantém lutando, mas a incerteza é difícil. Não sabemos onde procurar; a angústia só aumenta”, desabafou, percebendo a dor de uma comunidade inteira à espera de um desfecho positivo.
