A Dança do Cacuriá Ganha Destaque Internacional
Um vídeo que foi publicado na última quarta-feira (28) por um integrante do grupo Cacuriá de Balaio de Rosas já acumulou mais de 1 milhão de visualizações. As cenas capturadas exibem a coreografia emblemática do cacuriá, atraindo a atenção de espectadores de diferentes partes do mundo, que se surpreenderam com a sincronia dos dançarinos. Rosa Reis, cantora e caixeira do grupo, expressou sua alegria ao ver essa manifestação cultural alcançando visibilidade global.
“É uma felicidade enorme ver o nosso cacuriá ganhando tanta repercussão, sendo reconhecido por sua beleza e autenticidade. Fico lisonjeada com todo esse carinho. Parabéns ao Candinho e a todos que fazem essa dança fantástica que reúne tanta gente jovem. Essa é uma conquista linda!”, declarou Rosa.
A Recepção nas Redes Sociais
As redes sociais, incluindo o X (antigo Twitter), foram inundadas de elogios à dança maranhense. Muitos internautas afirmaram nunca ter visto algo semelhante e destacaram a riqueza cultural que o Brasil possui. Na plataforma, os usuários celebraram a energia vibrante e o gingado dos brincantes, expressando o desejo de aprender mais sobre as tradições maranhenses.
As imagens da dança, que enfatizam a coreografia sensual, se espalharam rapidamente, gerando comentários entusiasmados e despertando a curiosidade sobre essa manifestação cultural.
Origem e Características da Dança
O cacuriá, conhecido por suas coreografias sensuais e letras de duplo sentido, surgiu em 1973 na capital maranhense, São Luís, criado pelo folclorista Alauriano Campos de Almeida, carinhosamente chamado de “Seu Lauro”. Originalmente associado às festividades juninas, o cacuriá rapidamente conquistou popularidade, se espalhando pela cidade.
Nesta dança, os participantes dançam em duplas, apresentando movimentos coreografados em uma roda, chamada cordão. Os pares realizam passos marcados, com muito rebolado de quadril, improvisos e interação com o público, criando uma atmosfera animada e festiva. Cada movimento reflete elementos da cultura local, incluindo crenças, costumes e alegrias típicas.
Elementos Musicais e Estilo
O cacuriá é uma festa para os sentidos; sua música, que combina influências de marcha, valsa e samba, é conduzida pelas caixeiras. Elas entoam toadas que falam sobre a natureza, tradições e aspirações da comunidade. As ladainhas iniciam com um cantor à frente, sendo logo acompanhadas pelo restante do grupo em um coro vibrante. A parte vocal frequentemente incorpora versos improvisados, promovendo um ambiente de celebração.
Os instrumentos utilizados incluem as Caixas do Divino, pequenos tambores tradicionalmente feitos de couro de boi, além de banjo, violão, clarinete e flauta, que enriquecem o som característico da dança.
No quesito vestuário, as mulheres costumam usar blusas curtas e saias longas, adornadas com flores no cabelo, enquanto os homens optam por coletes sem camisa ou roupas bordadas, sempre harmonizando com as estampas femininas.
Conexões Culturais do Cacuriá
A jornalista Inara Rodrigues, autora do livro “Vem cá curiar o cacuriá!”, aponta que essa dança é uma adaptação do Carimbó das Caixeiras, uma tradição celebrada ao final da Festa do Divino Espírito Santo. O ritual ocorre após a derrubada do mastro, onde caixeiras e festeiros se unem para tocar carimbó em um ambiente leve e sensual.
Embora a origem do cacuriá seja atribuída a Seu Lauro, muitas pessoas lembram de Dona Teté, que fez parte do grupo original e se transformou em um ícone da dança. Seu destaque deve-se à sua presença de palco envolvente e estilo inovador. Em 1980, Dona Teté participou do Laborarte, expandindo sua carreira artística. Seis anos depois, com o apoio de Nelson Brito, coordenador do Laborarte, ela fundou o Cacuriá de Dona Teté, que foi fundamental para a popularização da dança em todo o estado.
Agora, o cacuriá brilha sob os holofotes, conquistando fãs e admiradores. A dança não apenas entretém, mas também é uma expressão rica da cultura maranhense, simbolizando a alegria e a criatividade de seu povo.
