A Festa no Anel Viário
Na noite do último sábado (21), a alegria tomou conta do Anel Viário em São Luís, marcando o encerramento dos desfiles dos blocos tradicionais do Grupo B e das escolas de samba. Desde o início da tarde até a madrugada, comunidades de diversos bairros da capital maranhense se reuniram para celebrar a rica cultura popular durante os festejos de Carnaval. A programação vibrante atraiu um grande público, que encheu arquibancadas, frisas e camarotes na expectativa de ver suas agremiações favoritas desfilarem.
No domingo (22), a festa continuará com os desfiles dos blocos tradicionais do Grupo A, programados para iniciar às 17h. A Corte Momesca, composta pelo Rei Momo Waisllan Mendes, a Rainha Priscylla Muniz, a primeira princesa Bruna Artioli e a segunda princesa Paloma Arouche, desfilou pela passarela, animando os foliões que estavam presentes.
Desfiles Marcantes e Temas Relevantes
A programação do carnaval começou com o contagiante som do tambor de crioula, destacando as apresentações dos grupos Mauro Fecury I, Turma dos Crioulos e Mestre Basílio, que aqueceram o público nas proximidades da Passarela do Samba Chico Coimbra. Os dez blocos tradicionais do Grupo B, então, tomaram conta da cena, encantando a todos com coreografias elaboradas, indumentárias vibrantes e batidas marcantes. As balizas e os instrumentistas mostraram todo o talento acumulado ao longo do ano em suas comunidades, coroando a importância da cultura local.
As escolas de samba foram, sem dúvida, as estrelas da noite. A primeira a desfilar foi a escola Túnel do Sacavém, fundada em 1997, que trouxe uma homenagem a “Xangô”, encantando os presentes. Em seguida, a Unidos de Fátima, do Bairro de Fátima, emocionou o público com um samba-enredo que celebrava os Lençóis Maranhenses, um dos parques ecológicos mais conhecidos do país.
Temas que Ressoam com a História e a Modernidade
Na sequência, a Marambaia, também do Bairro de Fátima, apresentou um samba-enredo que explorava o tema “A Arte da Comunicação: dos tempos dos primórdios à interatividade virtual”. O desfile foi uma verdadeira narrativa visual e musical, refletindo sobre a evolução da comunicação humana ao longo da história. De gestos e símbolos até a era digital, os integrantes e os carros alegóricos contaram essa trajetória com maestria. O samba, criado por Dennys Melodia e Benedito Ribeiro (Urubuzinho), teve um impacto significativo no público.
A Turma do Quinto fez todos cantarem com o tema “Na Turma do Quinto o Reggae é a Lei”, prestando homenagem a um ritmo que é sinônimo da identidade maranhense. O samba, de autoria de Josiel Costa, Jaílson Pereira, Carlos Boniek, Vicente Melo e Arthur Santos, foi desenvolvido a partir de diálogos com pesquisadores e um extenso trabalho de campo, resultando em uma sinopse que refletia a rica cultura local. “Com certeza, a escola se destacou e está entre as favoritas. É fundamental valorizar a nossa cultura, especialmente considerando que São Luís é chamada de a Jamaica Brasileira”, comentou a professora Ana Maria Ribeiro, moradora da Madre Deus.
Encerramento com Chave de Ouro
Com um contingente de dois mil integrantes, alas e carros alegóricos, a Turma do Quinto trouxe as cores da Jamaica Brasileira para a avenida, homenageando diversas personalidades ligadas ao movimento reggae na capital. “Foi um trabalho árduo, que exigiu muita dedicação, mas valeu a pena. Conseguimos unir duas paixões: samba e reggae”, explicou Carlos Jhonatan, diretor de bateria.
Para encerrar a noite, a atual campeã, Flor do Samba, do bairro Desterro, brilhou com o enredo “Entre o Ventre e a Flor: Mulheres, Mitos e Deusas”. O desfile celebrou figuras míticas e históricas, como Ísis, Iemanjá, Durga e Dandara dos Palmares, além de homenagear todas as mulheres que sustentaram o mundo com força e coragem. O público se despediu com aplausos, reconhecendo a grandiosidade e a importância da cultura e das tradições do Carnaval maranhense.
