A Riqueza Cultural no Carnaval de São Luís
No coração do Carnaval de São Luís, o evento ‘Vem pra Madre’ conta com três palcos: São Jorge, Gavião e Ponto de Fuga, que juntos receberão 216 atrações até o fim da festividade. Em paralelo, o circuito ‘Vem pro Mar’ apresentará 90 atrações, com uma média de 11 por dia. Essa variedade de apresentações promete celebrar e exibir a rica cultura ludovicense durante a festa.
Segundo André Campos, presidente da Agência Executiva Metropolitana do Governo do Estado do Maranhão, “A Madre Deus é o bairro mais cultural do Maranhão”. Ele destaca que “o que você pensar, aqui tem”. Com palcos próximos um do outro em uma rua relativamente curta, o objetivo é abraçar e dar espaço à diversidade cultural presente na região. O Palco São Jorge, por exemplo, é carregado de religiosidade, uma vez que foi construído em frente à imagem de São Jorge na Praça do Caroçudo.
As festividades do Estado têm um início marcante: todos os eventos começam com o tradicional tambor de crioula. Depois, entra em cena uma mistura rica de manifestações culturais, incluindo os blocos tradicionais, sambas, tribos indígenas, blocos afro, e as escolas de samba que são essenciais para a cena local. Campos ressalta: “Temos ainda as bandas que cantam a música popular maranhense”.
Um Encontro de Nomes Famosos e Cultura Local
No circuito ‘Vem pro Mar’, grandes nomes como Anitta, Alok e Calcinha Preta se apresentam ao lado de grupos locais, como o Bicho Terra. Este último se destaca por sua performance que exalta a cultura popular ludovicense, enquanto o GDAM, um coletivo que utiliza o reggae como ferramenta de transformação social, também fará parte da programação.
Cláudio Adão, coordenador de projetos do GDAM, expressa a importância do reggae na vida local, afirmando: “O reggae na minha vida é um sentimento, é familiar, é a música que resiste a todas as formas de preconceito”. O GDAM, com 40 anos de história, realiza um trabalho fundamental, promovendo ações pedagógicas e oficinas para crianças e jovens entre 5 e 30 anos. Adão destaca: “É crucial para a cadeia produtiva do reggae mostrar no Carnaval a arte da periferia”.
A Influência do Reggae na Identidade Maranhense
O reggae, que encontrou seu espaço na cultura de São Luís há mais de 50 anos, transformou a cidade na chamada Jamaica Brasileira. Esse gênero, que vem do Caribe e foi ressignificado localmente, tornou-se uma parte essencial da identidade urbana, influenciando não só a moda e a linguagem, mas também as relações sociais.
Antes de se tornar popular entre a elite intelectual, o reggae enfrentou um longo processo de marginalização, ainda lidando com as consequências desse estigma. Bairros como Fátima e Liberdade se destacam como polos culturais maranhenses, com a Liberdade sendo reconhecida como o maior quilombo urbano de São Luís, preservando a cultura jamaicana.
Magno Roots, príncipe do bairro de Fátima e proprietário de um dos maiores acervos de reggae em São Luís, recorda: “Sempre que havia uma manifestação cultural, como o bumba meu boi ou a festa do Divino Espírito Santo, havia uma radiola tocando. Era uma mistura perfeita: o bumba meu boi, o cacuriá, tudo acompanhado do reggae, que sustentou essa cultura no Maranhão”.
O Papel das Comunidades e a Evolução do Reggae
As associações de moradores tiveram um papel vital na preservação do reggae. Elas hospedaram sistemas de som e criaram espaços para bailes. Com o passar do tempo, DJs e discotecários começaram a desenvolver suas próprias festas e rádios, ajudando a difundir o reggae e a dança no Maranhão, além de consolidar essa expressão cultural durante o Carnaval oficial.
Célia Sampaio, cantora e compositora reconhecida como a Dama do Reggae em São Luís, compartilha sua experiência: “O reggae sempre fez parte da minha vida, desde criança. Ele é fundamental para a minha identidade e afirmação negra”. Ela acrescenta que o reggae é bem acolhido na cultura popular local, sendo um elemento importante nas manifestações como o Tambor de Crioula e o Bumba Meu Boi, além das festas religiosas como a de Santo Antônio.
