Um Espaço de Criação e Identidade
No ano de 1972, a Juventude de São Luís do Maranhão sentia a necessidade de um espaço que favorecesse o desenvolvimento cultural e a manifestação de diversas expressões artísticas. Insatisfeitos com as opções oferecidas à época, jovens artistas uniram esforços para fundar o Laboratório de Expressões Artísticas, conhecido como Casarão Laborarte. Localizado na Rua Jansen Muller, no coração de São Luís, o Casarão é presidido por Rosangela de Jesus Santos Reis e possui atualmente cerca de 80 integrantes ativos, atuando em áreas que incluem dança, teatro, música, artes visuais e gestão cultural. O Casarão Laborarte foi um dos selecionados para participar da 6ª Teia Nacional, evento que celebra a cultura popular do Brasil.
As atividades do espaço são amplamente voltadas para as práticas relacionadas à Cultura Maranhense, que servem como base para o desenvolvimento de seus projetos. Desde que se tornou um Ponto de Cultura em 2005, o Laborarte vem desempenhando um papel importante na preservação e promoção da cultura local. A gestora Imira Brito destaca a relevância desse reconhecimento: ‘O status de Ponto de Cultura fortaleceu nossos laços com a comunidade. Somos um espaço de acolhimento que contribui para o fortalecimento de outros grupos culturais que atuam ao nosso redor’, afirma.
Fomentando o Comércio e a Educação
Dentre as atividades oferecidas, o Ponto se destaca por promover oficinas culturais, vivências e a troca de experiências. Segundo Imira, ‘Nosso público-alvo inclui comunidades nas proximidades, estudantes, pesquisadores e entusiastas da cultura’. O Casarão também se tornou um polo de fomento ao comércio local, funcionando de segunda a sábado e atraindo alunos que frequentam as lanchonetes nas redondezas. ‘Quando fazemos eventos, essa dinâmica se repete, impactando positivamente o comércio local’, explica.
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O Laborarte ainda estabeleceu parcerias com escolas públicas, contribuindo para a preservação da identidade cultural da região. Histórias inspiradoras de jovens como Vitória Nogueira, que transformaram suas vidas através do Casarão, têm se tornado comuns. Vitória, que participou de um projeto em colaboração com a Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social de São Luís (SEMCAS), hoje é uma agente de cultura no espaço, liderando diversos projetos que promovem a arte e a cultura.
A Rede Nacional de Cultura Viva
No Brasil, mais de 15 mil organizações são reconhecidas como Pontos de Cultura, um reflexo da Política Nacional de Cultura Viva (PNCV), que há mais de 20 anos promove iniciativas culturais comunitárias. O Cadastro Nacional de Pontos e Pontões de Cultura, coordenado pelo Ministério da Cultura, é essencial para o acesso a recursos públicos para ações culturais em todo o país. Até março de 2026, mais de 10 mil certificados foram emitidos, marcando um crescimento significativo em relação ao passado.
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Os Pontos de Cultura desempenham um papel vital em todo o Brasil, realizando atividades que incluem oficinas artísticas, formação cultural e a preservação de festividades populares. Entre os dias 19 a 24 de maio de 2026, a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura será realizada em Aracruz (ES), um evento que representa a união de agentes culturais, mestres das culturas populares, povos e comunidades tradicionais, gestores públicos e representantes da sociedade civil de todas as regiões do país. Sob o tema ‘Pontos de Cultura pela Justiça Climática’, este encontro marca a retomada do evento após 12 anos e, pela primeira vez, ocorrerá em território indígena.
A Teia é uma realização do Ministério da Cultura, junto ao Governo do Estado do Espírito Santo, à Prefeitura de Aracruz e à Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), contando ainda com parcerias de instituições como o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Sesc, TVE, Unesco e o programa IberCultura Viva.
