Prevenção de Doenças em Período de Chuvas
Com a chegada de fortes chuvas, a preocupação com a saúde se torna uma constante para os moradores de São Luís, no Maranhão. A rotina de Luísa Fortes, 44 anos, reflete essa realidade. Mãe de quatro filhos, ela descreve os momentos de apreensão quando o céu escurece, prevendo que as ruas de seu bairro logo começarão a alagar. ‘Quando a chuva começa a cair, sinto meu coração apertar. A água geralmente entra em casa’, desabafa.
Luísa não teme apenas os danos materiais, mas sim as consequências para a saúde de sua família. ‘Fico apavorada com o medo de doenças. Quando vejo a água suja invadindo nossa casa, logo penso nos meus filhos. Tenho um receio enorme de leptospirose e outras infecções’, conta, demonstrando a gravidade da situação.
Ao enfrentar a água que invade seu lar, Luísa prioriza a segurança das crianças e tenta proteger móveis e eletrodomésticos. ‘Coloco as crianças em cima da cama e tento levantar o que consigo. Mas é impossível evitar o contato com a água. Sempre acabamos molhados’, ressalta. Após a tempestade, a tensão persiste. ‘Após a chuva, limpo tudo com água sanitária e mando as crianças tomarem banho, sempre atenta a qualquer sintoma ou febre. Vivemos em constante alerta’, explica.
Essa realidade não é única. Para Luísa, cada ano traz a mesma história. ‘Toda vez que as chuvas chegam, sei que passarei a noite acordada, limpando a casa e preocupada com o que pode acontecer a seguir’, lamenta. Enquanto a estação chuvosa continua em Maranhão, relatos como o de Luísa ressaltam que, para muitas famílias, cada tempestade é sinônimo de ansiedade, cuidados redobrados e preocupações com a saúde.
Os Riscos da Água Contaminada
Essas preocupações têm fundamento. A enfermeira e professora do IDOMED São Luís, Erika Chaib, alerta que a água da chuva, nas áreas urbanas, pode estar contaminada com lixo, esgoto e urina de roedores, aumentando o risco de doenças como leptospirose, hepatite A, gastroenterites e infecções de pele. ‘Em áreas urbanas, a água da chuva muitas vezes se mistura com lixo, esgoto, fezes de animais, urina de roedores e produtos químicos. O contato pode expor as pessoas a microrganismos nocivos’, explica a especialista.
Entre as enfermidades mais comumente associadas ao contato com água contaminada está a leptospirose, causada por uma bactéria presente na urina de roedores. A infecção pode ocorrer quando a água toca feridas ou cortes na pele. ‘A leptospirose pode evoluir para formas graves, afetando rins e fígado’, alerta Erika Chaib.
Além da leptospirose, a hepatite A e gastroenterites virais ou bacterianas podem se manifestar com sintomas como diarreia, vômitos e desidratação. Infecções de pele causadas por fungos e bactérias são frequentes após a exposição à água poluída. O tétano também é um risco, especialmente em ferimentos causados por objetos contaminados durante as enchentes.
Erika ressalta que o período chuvoso favorece a proliferação de vetores. Embora a dengue não seja transmitida diretamente pela água da chuva, o acúmulo de água parada propicia a reprodução do mosquito Aedes aegypti. Além disso, animais peçonhentos podem surgir com maior frequência em áreas alagadas.
Os sintomas variam conforme a doença, mas alguns sinais devem servir de alerta. ‘Os principais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, diarreia, náuseas, vômitos e lesões na pele’, destaca a enfermeira.
Medidas de Prevenção e Cuidados
Crianças, idosos e pessoas com cortes na pele precisam de atenção especial. ‘Esses grupos possuem um sistema imunológico mais vulnerável, aumentando o risco de infecções’, pontua Erika. Ela enfatiza que qualquer lesão pode ser uma porta de entrada para microrganismos. ‘Feridas, cortes ou arranhões podem permitir a entrada de bactérias presentes na água contaminada, elevando significativamente o risco de infecções’, explica.
Apesar dos riscos, algumas práticas podem ajudar a minimizar as chances de adoecer. Após qualquer contato com água de enchente, é crucial lavar bem a pele com água limpa e sabão, especialmente mãos e pés. ‘É essencial lavar a pele após o contato, principalmente em mãos e pés. Feridas também devem ser higienizadas e protegidas adequadamente’, orienta Erika Chaib. As roupas e calçados utilizados nesse contato devem ser lavados e secos ao sol, e evitar andar descalço em áreas alagadas é fundamental.
Se sintomas como febre, diarreia, vômitos ou dores no corpo surgirem, é vital buscar atendimento médico imediatamente e informar sobre o contato com água de enchente. ‘Se aparecerem sintomas como febre ou diarreia, a pessoa deve procurar um serviço de saúde, alertando sobre o contato com água contaminada’, finaliza.
