O Cinema São Luiz: Um Patrimônio Cultural do Recife
O filme ‘O Agente Secreto’, dirigido pelo talentoso recifense Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, fez história ao conquistar dois importantes prêmios no Globo de Ouro: melhor filme em língua não-inglesa e melhor ator em filme de drama. Essa conquista não apenas coloca o ator baiano como o primeiro brasileiro a vencer na categoria masculina, mas também reafirma a relevância do cinema nacional no cenário internacional. Em 2025, Fernanda Torres já havia sido a primeira brasileira a levar para casa o prêmio de melhor atriz com ‘Ainda estou aqui’.
A narrativa de ‘O Agente Secreto’ se desenrola, em grande parte, na vibrante cidade do Recife, abordando as memórias urbanas da capital pernambucana. O filme destaca pontos históricos, como os cinemas de rua, que fazem parte da cultura local. Entre esses espaços, o Cinema São Luiz se destaca como um dos mais tradicionais e significativos.
Uma Nova Era para o Cinema São Luiz
Inaugurado em 1952 no térreo do Edifício Duarte Coelho, o Cinema São Luiz reabriu suas portas ao público em novembro de 2024 após um extenso processo de reforma que durou dois anos. Essa reabertura não só revitalizou o espaço, mas também reacendeu o amor do público pela sétima arte, tornando o cinema um ponto de encontro cultural.
O Cinema São Luiz não é apenas um cenário; ele também desempenha um papel central na trama de ‘O Agente Secreto’. Cenas essenciais do filme se desenrolam dentro do cinema, que abriga personagens-chave da história. Um dos personagens, Seu Alexandre, interpretado por Carlos Francisco, é o projecionista que conecta o público à experiência cinematográfica.
Em uma entrevista ao G1 em 2024, Kleber Mendonça Filho expressou que o Cinema São Luiz funciona como um “portal para o passado” do Recife. Ele descreveu o espaço como um “navio” que leva os espectadores em uma jornada cultural, permitindo que suas percepções sobre a cidade sejam transformadas. “Ao entrar aqui, você embarca em uma viagem que pode durar duas horas. Ao final, você retorna ao Recife, talvez com uma nova visão”, afirmou o diretor.
Um Espaço Icônico e Fotogênico
O São Luiz é reconhecido não apenas pela sua importância na narrativa do filme, mas também por sua estética deslumbrante. Considerado uma das salas de cinema mais bonitas do Brasil, a fachada do cinema, localizada na Rua Aurora e de frente para o Rio Capibaribe, é inconfundível, em meio a outros edifícios históricos da cidade. Seu letreiro iluminado com letras vermelhas informa os recifenses sobre os filmes em cartaz e, durante a pandemia, ofereceu mensagens de esperança, como “Cuidem-se. Em breve estaremos juntos”.
Os detalhes arquitetônicos são impressionantes: a entrada é marcada por colunas imponentes e uma porta de vidro emoldurada em dourado. Ao adentrar o cinema, o espectador é recebido por um grande painel de Lula Cardoso Ayres, enquanto o chão, as colunas e as paredes são revestidos por mármore branco. Um tapete vermelho guia os visitantes até a única sala de exibição, onde vitrais coloridos em forma de jarros de flores, criados por Aurora de Lima, emolduram a tela, proporcionando um espetáculo à parte.
Uma Tradição Que Persiste
O Cinema São Luiz foi tombado como monumento histórico pelo governo de Pernambuco em 2008, reafirmando sua importância cultural. O espaço continua a ser palco de festivais de cinema e atrai um público apaixonado pela arte, oferecendo ingressos a preços acessíveis e uma programação que celebra tanto o cinema nacional quanto internacional. Atualmente, o cinema é gerido pelo Estado e, em 2025, realizou 272 sessões, sendo 112 gratuitas e 160 comerciais. Ao todo, foram exibidos 248 filmes, incluindo 55 longas brasileiros e 33 pernambucanos, alcançando um público de 33.692 pessoas ao longo do ano.
Com uma curadoria alternativa que desafia os cinemas comerciais, o Cinema São Luiz não apenas exibe filmes, mas também se estabelece como um espaço de resistência cultural e uma janela para o passado e futuro do Recife.
