Uma Noite de Reverência e Cultura
Considerada um dos berços da cultura brasileira, Olinda reserva espaço em sua programação carnavalesca para preservar e celebrar tradições que fazem parte da identidade nacional. Na última segunda-feira (9), a cidade vivenciou a 27ª edição da Noite para os Tambores Silenciosos, um dos eventos mais significativos do período pré-carnavalesco, com a participação de diversas nações de Maracatu.
A concentração dos participantes ocorreu às 20h, nos Quatro Cantos, ponto de partida para o tradicional cortejo até a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, localizada no bairro de Bonsucesso. Este ritual é uma homenagem à herança cultural africana, prestando tributo aos ancestrais negros e às tradições de matriz africana que moldam a cultura pernambucana. O evento, que se destaca pela sua profundidade simbólica, tem início programado para a meia-noite.
Entre os maracatus que participaram dessa celebração estavam Nação de Luanda, Leão Coroado, Camaleão, Badia, Maracambuco, Estrela de Olinda, Tigre, Sol Brilhante de Olinda e Maracatu Nação Pernambuco. O público teve a oportunidade de vivenciar uma experiência rica em sons e rimas, com loas cantadas e versos recitados por mestres e mestras da tradição, acompanhados dos tradicionais toques de tambores que ressoam pela cidade.
À meia-noite, um momento especial marca a celebração: os tambores são silenciados para dar início a uma obrigação religiosa, conduzida por lideranças espirituais que reverenciam aqueles que vieram antes. Este ato é uma demonstração da força da cultura afro-pernambucana, que se renova a cada encontro, mantendo vivas as histórias e as tradições que embasam a identidade de Olinda e de seu povo.
Nesta noite de celebrações, os olhars atentos e corações abertos revelaram a continuidade de uma história que, apesar dos desafios, permanece firme como uma expressão vibrante da cultura brasileira. O cortejo dos tambores silenciosos, portanto, não é apenas um evento; é um testemunho da resiliência e da força das tradições que, em meio ao carnaval, se fazem ouvir e se perpetuam no tempo.
