Dados Alarmantes Sobre a Influenza A
O Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quinta-feira (9), revelou um aumento significativo nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) relacionados ao vírus Influenza A, especialmente na Região Centro-Sul do Brasil. O levantamento expõe que o crescimento dos casos está concentrado em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Além disso, o Nordeste também apresentou aumento nos casos, com destaque para a Paraíba, Alagoas e Sergipe. Apesar do cenário preocupante em grande parte do país, algumas regiões já mostram sinais de estabilização ou até queda nos números de infecções. Este é o caso dos estados do Norte, como Amapá, Pará e Rondônia, e de partes do Nordeste, incluindo Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco, além do Rio de Janeiro.
Supergripe: Transmissibilidade Elevada
A nova variante do vírus Influenza A, conhecida como subclado K ou “supergripe”, está circulando com maior intensidade no Brasil. Segundo a pesquisadora Tatiana Portella, que atua no Boletim InfoGripe, essa cepa é mais transmissível, refletindo no aumento dos casos de gripe. Contudo, é importante ressaltar que a “supergripe” não tem se mostrado mais letal ou causadora de mais complicações do que as outras variantes já conhecidas.
“O subclado K do vírus Influenza A, que atualmente circula no Brasil, já se fez presente anteriormente no Hemisfério Norte. O que sabemos é que ele é mais transmissível, resultando em um número maior de infecções, mas não em mais casos graves ou óbitos do que outros vírus da gripe. A vacina anual é essencial, pois ela se adapta às mutações do vírus e oferece proteção contra as variantes em evidência”, destaca Portella.
Importância da Vacinação
A vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra a influenza. A atual vacina disponível no Brasil foi atualizada para proteger especificamente contra a “supergripe”. A importância da imunização é reforçada por especialistas, que alertam para a necessidade de que a população mantenha seus esquemas vacinais em dia.
Atenção a Outros Vírus Respiratórios
Além do aumento de casos de influenza, o boletim também sinalizou um crescimento nos casos de SRAG associados ao vírus sincicial respiratório (VSR), que afeta especialmente crianças com menos de dois anos. Estados do Nordeste, como Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, vêm apresentando um aumento no número de casos, assim como regiões do Centro-Oeste, incluindo Mato Grosso e Goiás, além de vários estados do Sudeste.
Por outro lado, algumas áreas do Norte, como Acre, Roraima e Amazonas, mostram indícios de queda nos casos relacionados ao VSR. Em relação aos rinovírus, embora os casos graves estejam apresentando sinais de desaceleração em grande parte do Brasil, ainda há um crescimento nas infecções nos estados do Pará, Maranhão, Mato Grosso e Alagoas. Felizmente, os registros de casos graves de Covid-19 permanecem em níveis baixos em todo o país.
Situação de Alerta nos Estados e Capitais
Atualmente, 13 das 27 unidades federativas brasileiras estão em alerta em relação aos casos de SRAG, com uma expectativa de crescimento a longo prazo. Os estados em situação de risco incluem: Acre, Pará e Tocantins, além de Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Bahia, Mato Grosso e Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo.
Entre as capitais que enfrentam níveis elevados de atividade de SRAG, destacam-se Palmas (TO), Cuiabá (MT), São Luís (MA), Natal (RN), João Pessoa (PB), Recife (PE), Aracaju (SE), Maceió (AL), Belo Horizonte (MG), Vitória (ES) e Rio de Janeiro (RJ).
Prevalência dos Vírus Respiratórios
Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, a distribuição dos vírus entre os casos positivos de SRAG foi a seguinte: 30,7% de influenza A, 2,0% de influenza B, 19,9% de VSR, 40,8% de rinovírus e 6,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Quanto aos óbitos, a presença dos agentes foi: 40,5% de influenza A, 3,2% de influenza B, 5,5% de VSR, 27,3% de rinovírus e 25,0% de Sars-CoV-2.
Os dados do InfoGripe são baseados nas informações inseridas no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe, atualizados até 4 de abril, referindo-se à Semana Epidemiológica (SE) 13.
