Liderança Conturbada na Política de Turilândia
O cenário político de Turilândia, município no Maranhão, está em choque após a prisão do prefeito Paulo Curió, do vice-prefeito, de 20 vereadores e da primeira-dama, Eva Curió. Todos eles são investigados por participação em um esquema criminoso que desviou mais de R$ 56 milhões de recursos públicos, conforme relata o Ministério Público do Maranhão (MPMA). Este caso destaca não apenas a gravidade da corrupção em esferas administrativas, mas também a necessidade de vigilância na gestão pública.
Paulo Curió, que pertence ao partido União Brasil, se entregou à polícia na manhã de quarta-feira (24) em São Luís, após estar foragido por dois dias. Juntamente com ele, a primeira-dama e outras figuras chave da administração local, como a ex-vice-prefeita Janaina Lima e seu marido Marlon Serrão, além do contador da prefeitura, Wandson Jhonathan Barros, também se apresentaram às autoridades. As prisões foram mantidas pela Justiça, evidenciando a seriedade das acusações.
Investigação Revela Desvios Enormes em Licitações Públicas
Na sequência das investigações, cinco vereadores que se encontravam em situação de fuga se entregaram à polícia na quinta-feira (25). O total de 11 vereadores da Câmara Municipal de Turilândia é alvo de suspeitas de corrupção. A Justiça concedeu ao presidente da câmara, José Luis Araújo, do União Brasil, a possibilidade de assumir a prefeitura de forma interina, mesmo estando sob prisão domiciliar.
Segundo o MPMA, os integrantes do grupo se envolveram em fraudes em licitações que resultaram em um desvio colossal de R$ 56 milhões, sendo que, somente nas áreas de saúde e assistência social, o valor foi de R$ 43 milhões. As investigações indicam que o prefeito Paulo Curió liderava a organização criminosa, com apoio direto de sua vice Tânia Mendes e da ex-vice-prefeita Janaina Lima.
Notas Fiscais Falsas e Enriquecimento Ilícito
A investigação revelou que empresas de fachada ou ligadas ao grupo emitiam notas fiscais para serviços que nunca foram prestados à prefeitura. Os pagamentos eram realizados, mas a maior parte do montante retornava a contas controladas pelo contador Wandson Barros, com as empresas envolvidas recebendo uma comissão entre 10% e 15% desse total. Isso evidencia um sistema bem estruturado de corrupção e lavagem de dinheiro.
Particularmente alarmante é a descoberta de que um posto de combustíveis pertencente à ex-vice-prefeita Janaína e seu esposo recebeu mais de R$ 17 milhões em pagamentos por abastecimentos que nunca foram feitos. Além disso, a atual vice-prefeita, Tânia Mendes, e seu marido, Ilan Alfredo Mendes, são investigados por receberem dinheiro de empresas contratadas pelo município, incluindo somas ligadas à emissão de notas fiscais fraudulentas. Tânia teria participado da chapa eleitoral para assegurar a influência de seu tio, Marlon Zerrão, que era próximo ao prefeito Paulo Curió.
Consequências e Repercussões da Operação Tântalo II
O Ministério Público classificou as ações do grupo como crimes de organização criminosa, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro. As irregularidades ocorreram durante a gestão de Paulo Curió, entre 2021 e 2025. Esta semana, a Operação Tântalo II executou 51 mandados de busca e apreensão, além de 21 mandados de prisão nas cidades de São Luís, Paço do Lumiar, Santa Helena, entre outras localidades, como um desdobramento de uma operação realizada pelo Gaeco em fevereiro deste ano.
As defesas do prefeito e da primeira-dama ainda não se pronunciaram sobre as acusações.
