Origem e Significado do Dia Estadual do Cacuriá
Comemorado em 27 de junho, o Dia Estadual do Cacuriá representa uma homenagem à força da cultura popular do Maranhão e ao legado de Almerice da Silva Santos, mais conhecida como Dona Teté. Instituída oficialmente para celebrar o aniversário da artista, a data destaca sua importância como a maior referência dessa manifestação folclórica no estado.
A lei que oficializa essa celebração tem como objetivo preservar, valorizar e promover o Cacuriá, reconhecido como uma expressão artística essencial da cultura maranhense. Para isso, incentiva a realização de atividades culturais, apresentações, oficinas, debates e ações educativas, todas voltadas para a compreensão da relevância histórica e social dessa dança popular.
Raízes e Características do Cacuriá
De acordo com a jornalista e pesquisadora Inara Rodrigues, autora do livro “Vem cá curiar o cacuriá”, a dança surgiu em 1973 na capital São Luís, criada pelo folclorista Alauriano Campos de Almeida, conhecido como Seu Lauro. O Cacuriá destaca-se pela coreografia marcada pela sensualidade e pelas toadas de duplo sentido, sendo inspirado no Carimbó das Caixeiras, uma manifestação realizada ao final da Festa do Divino Espírito Santo.
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Também chamada de bambaê de caixa, a dança das caixeiras acontece após a derrubada do mastro, uma vara ornamentada que sustenta a bandeira do Divino Espírito Santo. Nesse momento, caixeiras e festeiros celebram o encerramento da festividade ao som do carimbó de caixas, ritmo que envolve movimentos sensuais e intensos.
Dona Teté: De Integrante a Ícone do Cacuriá
Integrante do Cacuriá de Seu Lauro, Dona Teté destacou-se pela irreverência, versatilidade e estilo único ao dançar. Em 1980, foi convidada pelo Laboratório de Expressões Artísticas (Laborarte) para integrar o elenco de uma peça teatral, tocando caixa e cantando. Seis anos depois, com o incentivo de Nelson Brito, então coordenador do Laborarte, fundou o grupo que ficou conhecido como Cacuriá de Dona Teté.
Segundo Inara Rodrigues, “Dona Teté sempre foi muito irreverente e, em 1980, foi convidada a integrar o elenco de uma peça de teatro do Laborarte para tocar caixa e cantar. Em 1986, com o estímulo do já falecido Nelson Brito, que por muitos anos foi diretor do Laborarte, foi criado o Cacuriá de Dona Teté, que foi o segundo Cacuriá. Seu Lauro encerrou o grupo dele e Dona Teté, por ser aquela artista versátil e irreverente que sempre foi, ganhou todo aquele destaque. Por isso, muita gente atribui a criação do Cacuriá a ela”.
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Elementos e Dinâmica da Dança
O Cacuriá é dançado em pares, organizados em roda chamada cordão. Os casais executam passos coreografados que combinam sensualidade, improvisação e interação com o público. Cada movimento traduz aspectos da cultura, crenças e costumes do povo maranhense, sendo o contato físico entre os dançarinos, os sorrisos e olhares trocados com os espectadores parte fundamental da manifestação.
Considerado uma mistura de marcha, valsa e samba, o ritmo do Cacuriá é conduzido pelas Caixas do Divino, instrumentos de percussão feitos com couro de boi. As toadas entoadas pelas caixeiras tratam de temas como natureza, religiosidade, brincadeiras tradicionais e anseios da população. A dinâmica ocorre em forma de pergunta e resposta, com uma pessoa iniciando os versos e os demais brincantes respondendo em coro.
Além das Caixas do Divino, o banjo, o violão, o clarinete e a flauta compõem a formação instrumental da dança. No figurino, as mulheres geralmente usam blusas curtas e saias longas, coloridas e rodadas, adornadas com flores nos cabelos. Os homens vestem coletes sem camisa, calças curtas ou roupas bordadas que combinam com as cores femininas, reforçando a identidade visual do grupo.
