Mercados sob pressão: o impacto das tarifas globais
Na última segunda-feira (23), as oscilações no cenário econômico internacional foram evidentes, refletindo a recente disputa entre o governo de Donald Trump e a Suprema Corte dos Estados Unidos. O dólar à vista apresentou uma leve desvalorização de 0,14%, com a cotação fechando em R$ 5,16, o que representa o menor patamar desde maio de 2024. Em contraste, o Índice Bovespa, que havia alcançado um recorde histórico na sexta-feira anterior, caiu 0,86%, retornando à faixa dos 188 mil pontos. Essa queda foi impulsionada principalmente pela performance negativa das ações dos grandes bancos brasileiros, que ofuscaram os ganhos obtidos por empresas como Petrobras e Vale.
O grande catalisador da movimentação foi a incerteza gerada pela recente decisão da Suprema Corte americana, que suspendeu tarifas comerciais anteriores, levando o presidente Trump a reagir com a imposição de novas sobretaxas globais, elevando-as de 10% para 15% durante o fim de semana. Essas medidas, que começam a vigorar a partir de terça-feira (24), geraram um clima de aversão ao risco em Wall Street e nas bolsas europeias. Como consequência direta, o preço do ouro disparou quase 3%, sendo negociado a US$ 5.225,6 por onça-troy, reafirmando seu status de ativo seguro em tempos de crise.
Brasil: entre desafios e oportunidades
Apesar das turbulências no cenário global, o Brasil se destaca como um potencial beneficiado pelas mudanças no regime tarifário dos EUA. De acordo com a análise da Global Trade Alert, o país poderá ver uma redução média de 13,6 pontos percentuais em suas tarifas. Enquanto isso, economias como a do Reino Unido e da União Europeia devem enfrentar desafios adicionais em decorrência das novas políticas comerciais.
No mercado de câmbio, a situação do real também apresenta um cenário positivo, favorecido pela queda nos juros dos títulos do Tesouro americano (Treasuries). A instabilidade nos Estados Unidos resultou em uma pressão reduzida sobre a moeda brasileira, criando um ambiente mais favorável. No entanto, o otimismo em relação às oportunidades comerciais é cauteloso. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) manifestaram preocupações em relação às investigações sobre práticas comerciais brasileiras, que foram solicitadas por Trump na última sexta-feira.
Vale lembrar que o Brasil já está sob investigação desde julho de 2025, o que significa que produtos nacionais podem sofrer novas sobretaxas antes mesmo que seus concorrentes no mercado global. Esse cenário levanta a necessidade de atenção e estratégias cuidadosas por parte das indústrias brasileiras.
Uma era de incerteza
Analistas apontam que o momento atual é caracterizado por uma elevada imprevisibilidade. Riscos relevantes ao crescimento global podem se intensificar em virtude da natureza errática da política externa dos Estados Unidos. A combinação de incertezas locais e globais exige que o Brasil esteja preparado para navegar por esses desafios, aproveitando as oportunidades que surgem ao mesmo tempo em que se resguarda contra possíveis reveses em sua economia.
