O Cálculo Político de Braide
Nos bastidores da política do Maranhão, cresce a percepção de que o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, visualiza um cenário onde o governador Carlos Brandão abandona o cargo para concorrer ao Senado. Essa análise não é mera especulação, mas sim um cálculo político fundamentado. Enfrentar Brandão enquanto ele ocupa a governadoria, com toda a sua estrutura e base política consolidada, representa um desafio arriscado demais para qualquer pretensão estadual que Braide possa ter.
Eduardo Braide tem um entendimento profundo sobre Carlos Brandão, não apenas no que diz respeito às suas alianças políticas, mas também em relação aos vínculos históricos e familiares que os unem. Esses laços ajudam a explicar a percepção de Braide sobre o imenso poder acumulado por Brandão ao longo dos últimos anos. Nesse contexto, o prefeito acredita que competir em uma eleição estadual com Brandão no poder seria uma tarefa monumental — especialmente considerando que Brandão poderia endossar um candidato com uma base de apoio ampla e robusta.
O Poder da Estrutura de Brandão
Atualmente, a equipe política de Brandão conta com cerca de 180 prefeitos e mais de 700 vereadores, estabelecendo uma presença social relevante em praticamente todas as regiões do Maranhão. Essa estrutura vai além de meras alianças; é sustentada por um conjunto contínuo de ações e programas que beneficiam municípios ao longo do estado. Tal capilaridade territorial é um fator que um projeto centrado na capital não consegue neutralizar.
Além disso, a diferença entre governar uma capital e um estado é significativa. Liderar uma cidade complexa como São Luís é um desafio diferente de administrar um estado com realidades e demandas tão variadas quanto as do Maranhão. Braide percebe que a transição de um modelo de gestão concentrado para a liderança de um estado exige habilidades que vão muito além da visibilidade urbana ou do sucesso administrativo local. E é neste ponto que a vantagem de Brandão se torna ainda mais clara.
Modos Diferentes de Fazer Política
Essa situação revela duas abordagens distintas no ambiente político. De um lado, temos a política de vitrine, focada em uma comunicação ágil e na imagem pública; do outro, a política de território, fundamentada em uma presença contínua e na habilidade de negociação. Essa disparidade estrutural torna a disputa estadual um campo desigual e elucida a preferência de Braide por um cenário onde Brandão não esteja no controle do Executivo.
Em São Luís, onde Braide estabeleceu sua principal vitrine política, a presença do governo estadual é bastante significativa. O governo Brandão mantém um considerável volume de obras e intervenções que, em termos de impacto urbano e social, rivalizam com as ações da Prefeitura. Isso reduz a margem de manobra política que Braide pode explorar em seu território.
A Influência das Pesquisas de Opinião
Outro aspecto crucial nesse cálculo são as pesquisas de opinião. Braide, que monitora os índices de popularidade de forma quase obsessiva, é plenamente consciente de que esses números refletem apenas um momento específico e tendem a mudar com o tempo. Apesar de seu forte apelo digital e presença nas redes sociais, ele sabe que, à medida que se aproxima o período eleitoral, uma parte significativa da popularidade que ele disfruta em São Luís pode se dissipar, especialmente quando a conversa se desloca do âmbito local para o estadual.
O Tempo como Aliado de Brandão
O tempo político também desempenha um papel decisivo. Braide percebe que quanto mais Brandão permanece à frente do governo, mais o cenário político estadual se torna favorável ao governador e ao seu grupo. A cada obra entregue, cada aliança municipal reafirmada e cada agenda realizada no interior, o espaço para aventuras eleitorais se restringe. Antecipar uma discussão sobre a saída de Brandão não é apenas um desejo; é uma tentativa de moldar o ritmo do amadurecimento político no Maranhão.
Brandão mantém índices de aprovação acima de 60%, não apenas pela visibilidade institucional, mas também por sua habilidade em mobilizar políticas e se conectar com a população em diversas regiões do estado. Essa combinação o torna um adversário temido, especialmente ao se considerar o peso do seu grupo político e a possibilidade de transferência de capital político para um sucessor.
A Racionalidade por trás da Hesitação de Braide
Com todas essas considerações, a lógica de Braide se torna clara: desafiar Brandão e seu grupo significa correr o risco de uma derrota severa e, o que é pior, ser relegado a um papel secundário na política. Enfrentar Brandão não é apenas uma empreitada arriscada; é uma possibilidade real de se tornar irrelevante no cenário político estadual.
Essa estratégia não é meramente circunstancial; Braide tem operado de forma deliberada para tentar afastar Brandão do centro da política maranhense. Ele delegou ao irmão, Fernando Braide, um papel ativo em articulações políticas voltadas para desestabilizar o governador, especialmente através de aproximações com setores da oposição histórica ao projeto progressista no Maranhão.
A Aproximação Oportuna com o PT
Uma das manobras de Braide foi buscar contatos com setores da oposição ligados ao campo progressista. Essa estratégia não é uma convergência ideológica, mas sim uma tentativa de criar fissuras e deslocar Brandão do eixo central da disputa. Essa dinâmica se estendeu até articulações fora do estado, com um movimento superficial de aproximação com o Partido dos Trabalhadores. Embora haja diálogos em Brasília, na política local essa relação carece de sustentação.
Braide sabe que uma aliança com o PT poderia minar o núcleo de apoio que ele conquistou junto à direita liberal e aos segmentos conservadores que lhe garantiram sucesso em sua gestão na capital. Qualquer sinal de uma colaboração com o PT prejudicaria essa base, algo que ele não está disposto a correr.
Conclusão: O Desafio Político no Maranhão
A relação de Braide com o PT não é, portanto, uma questão de afinidade, mas sim uma incompatibilidade estrutural. Sua visão política, que prioriza um modelo liberal de gestão, reflete uma lógica avessa à construção coletiva, especialmente no que se refere às necessidades das comunidades mais pobres. A recente aproximação com o PT é uma manobra tática para enfraquecer Brandão, mas não deve ser confundida com uma verdadeira aliança.
Com o tempo se esgotando, Braide navega um dilema: enquanto Brandão permanecer no poder, a possibilidade de um confronto direto se torna cada vez mais arriscada. A história política do Maranhão sugere que fragmentações em campos progressistas apenas resultam em enfraquecimento e perda de oportunidades. Aguardar um desenlace favorável para sua estratégia pode ser apenas uma ilusão, e a realidade política exige decisões rápidas e assertivas.
