Reviravoltas Políticas e Personagens Marcantes
As eleições gerais de 2024 no Maranhão trazem à tona diversas semelhanças com os pleitos realizados desde 2002, especialmente a data, que também cai em 4 de outubro. Há 24 anos, Luiz Inácio Lula da Silva conquistou sua primeira vitória presidencial, após três tentativas frustradas. Este ano, a eleição pode marcar o desfecho de sua trajetória, seja com uma nova vitória ou não.
No cenário político maranhense, José Reinaldo Tavares, que atualmente ocupa o cargo de secretário de Projetos Estratégicos no governo de Carlos Brandão, celebrou sua eleição como governador. Naquela ocasião, junto a ele, Roseana Sarney e Edison Lobão foram eleitos para o Senado, todos representando o PFL. O Partido dos Trabalhadores (PT) lançou Raimundo Monteira, enquanto o PDT e o PSB contavam com Jackson Lago e Ricardo Murad, respectivamente.
A eleição de 2002 foi marcada por estratégias políticas controversas. O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) decidiu cassar a candidatura de Ricardo Murad, uma ação ratificada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma vez que ele era cunhado de Roseana Sarney, a governadora desde 1994, considerada inelegível. O recurso de Murad não foi sequer apreciado pelo TSE devido à ausência de uma procuração que autorizasse seu advogado, José Antônio Almeida, a representá-lo. Com isso, os 114,6 mil votos do PSB foram anulados, o que favoreceu a vitória de José Reinaldo já no primeiro turno. Atualmente, Ricardo Murad busca uma vaga como deputado federal pelo Podemos.
Estratégias e Mudanças no Cenário Político
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Outra figura importante nessa história é Roberto Rocha, que na eleição de 2002 disputou o cargo de governador pelo PSDB, mas renunciou sua candidatura para apoiar Jackson Lago, numa tentativa de fortalecer a oposição à família Sarney. Essa manobra não teve sucesso, especialmente após a anulação dos votos de Murad. Agora, Roberto Rocha é candidato ao Senado pelo partido Novo, que se posiciona à direita, e está na corrida pelo governo do Maranhão ao lado do médico Lahesio Bonfim. Roseana Sarney, por sua vez, atua como deputada federal pelo MDB e foi incentivada a concorrer ao Senado na chapa do ex-secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão.
Nas últimas duas décadas, a política maranhense passou por transformações significativas, refletindo uma dinâmica de ascensão e queda de lideranças. José Sarney, o maior nome da política local, atualmente com 96 anos, permanece lúcido, embora afastado das disputas eleitorais. Jackson Lago, que teve sua carreira interrompida ao ser cassado, faleceu em 2010, enquanto Flávio Dino, que no passado foi juiz federal, passou a ser governador por duas vezes e, em 2022, foi eleito senador. Em 2024, renunciou ao cargo para assumir uma posição de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 2002, Lula foi eleito presidente, reeleito em 2006 e ainda elegeu Dilma Rousseff tanto em 2010 quanto em 2014, sendo que a ex-presidente foi destituída em 2016 por impeachment. Agora, Lula se encontra em sua pré-campanha para tentar o quarto mandato no Palácio do Planalto. Caso seja reeleito, ele se tornará o único líder ocidental a ocupar o cargo por quatro vezes, algo inédito em um país da importância do Brasil, o maior da América Latina. No Maranhão, o atual governador Carlos Brandão decidiu não concorrer ao Senado, optando por apoiar o sobrinho Orleans, do MDB, que deve enfrentar o petista Felipe Camarão, ambos respaldados por Lula.
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O Jogo da Política Maranhense
O jogo político no Maranhão, sem dúvida, não é para iniciantes. Ao assumir o governo em 2002, José Reinaldo Tavares já tinha uma longa trajetória política, tendo sido diretor do Departamento de Estradas de Rodagem no governo de José Sarney e, posteriormente, assessor de Roseana Sarney e seu marido, Jorge Murad, na Novacap em Brasília em 1975. No governo de João Figueiredo, ele ocupou a direção do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca, e, sob o governo Sarney, foi superintendente da Sudene e ministro dos Transportes, sendo responsável pelo projeto e início da Ferrovia Norte-Sul, uma importante via ferroviária no Brasil, com 4.155 km que conecta o Porto do Itaqui ao Porto de Santos, em São Paulo.
