Diálogo e Propostas para Comunidades Tradicionais
No último sábado (21), o Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (Ceprama) foi palco do I Encontro Estadual de Povos Tradicionais de Terreiro e Comunidades de Matriz Africana. O evento reuniu líderes religiosos, representantes de comunidades e autoridades do Governo do Estado para discutir temas relacionados à igualdade racial e à liberdade religiosa.
Coordenado pela Secretaria de Estado da Igualdade Racial (Seir), com o suporte da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), o encontro foi parte das atividades do Março Antirracista, ampliando o espaço para a escuta e formulação de propostas direcionadas às comunidades de matriz africana. Durante dois dias, o Ceprama se transformou em um ambiente de intercâmbio cultural e social, permitindo a manifestação das tradições e saberes ancestrais.
O governador Carlos Brandão aproveitou a oportunidade para receber uma carta elaborada ao longo do evento, que trazia as principais demandas dos participantes. “Esse momento é inédito e de grande importância. Hoje, apresentamos uma carta com as solicitações que visam a implementação de políticas públicas. O Estado é laico, e precisamos que todas as religiões recebam o apoio governamental para valorizar os povos de matriz africana”, afirmou Brandão.
Além disso, a Cartilha Direitos dos Povos Tradicionais de Terreiro do Maranhão foi anunciada, com o foco na orientação e garantia dos direitos das comunidades. A implantação da Casa de Matriz Africana, que funcionará na Casa Negro Cosme, no Centro Histórico de São Luís, também foi um dos marcos destacados durante o evento.
A secretária da Igualdade Racial, Célia Salazar, enfatizou a importância do caráter coletivo na elaboração das propostas apresentadas. “Esse primeiro encontro é resultado de uma construção conjunta, realizada com as lideranças de terreiros. Através dos fóruns, firmamos uma carta que reafirma a importância da religiosidade do povo negro e propõe políticas públicas para melhorar a qualidade de vida dessa população e combater o racismo religioso”, destacou.
Fortalecimento e Reconhecimento das Comunidades de Matriz Africana
O evento, que começou na sexta-feira (20), incluiu rodas de diálogo e manifestações que celebraram a fé e os saberes ancestrais, além de promover o reconhecimento institucional e ampliar o alcance das políticas públicas voltadas às comunidades tradicionais.
Segundo Dannyllo Américo, vice-presidente da Associação de Matrizes Africanas Unidos pela Fé, de São José de Ribamar, o impacto gerado pelo encontro é notável. “Esse evento marca um novo começo para nos reorganizarmos enquanto população de matriz africana. As demandas apresentadas visam um olhar mais sensível para esse povo que constrói cultura e acolhimento nas comunidades. Precisamos de mais encontros como este para sermos vistos e incluídos nas políticas públicas”, declarou.
Vera de Oxumaré, mãe de santo e representante do axé, também comentou sobre a relevância do evento na luta contra o preconceito. “Nunca tinha visto uma manifestação assim. Estão criando um espaço para nossa religião, que é semelhante a qualquer outra, fundamentada na fé e no respeito. Este encontro ajuda a desmistificar e a reduzir a perseguição que ainda enfrentamos por falta de compreensão.”
