Uma Viagem pela História do Palácio das Artes
O Palácio das Artes, ícone cultural de Minas Gerais, dá início às celebrações de seus 55 anos com a inauguração da exposição “Espaço, memória, cultura e patrimônio”, marcada para esta terça-feira (23/12), às 10h, na Galeria Mari’stella Tristão. Esta mostra inovadora apresenta uma linha do tempo interativa que destaca os principais momentos da história do espaço, utilizando grandes painéis com imagens e textos que ilustram sua trajetória.
Além da exposição, será lançado o site www.espacomemoria.com.br, que funcionará como uma extensão da mostra. O portal contará com uma quantidade ainda maior de informações e imagens que retratam a rica história da instituição e as personalidades que moldaram sua memória, como Juscelino Kubitschek, Clóvis Salgado, Oscar Niemeyer, entre outros. Esta iniciativa visa não apenas conectar o público com o passado, mas também homenagear aqueles que contribuíram para a criação e evolução do Palácio das Artes.
Reflexão e Reafirmação Cultural
Sérgio Rodrigo Reis, presidente da Fundação Clóvis Salgado (FCS), enfatiza que o projeto “Espaço, memória, cultura e patrimônio” surge como uma peça fundamental para reafirmar a história do Palácio das Artes e seus personagens notáveis. “Promover uma interpretação única dos fatos que marcaram nossa existência é essencial”, destaca. Com isso, a FCS, em parceria com a Coreto Cultural, busca celebrar a memória, desde o passado remoto até as conquistas mais atuais, em uma programação que começa em janeiro.
Reis explica que, ao longo do desenvolvimento do projeto, foi necessário buscar formas de contar essa história, que até então não havia sido consolidada de maneira formal. “Existem publicações que exploram diferentes aspectos do Palácio, mas não tínhamos uma linha do tempo que registrasse nossa história de forma completa”, afirma. O método adotado, inspirado por práticas observadas na Europa, transforma o edifício em um espaço de experimentação da memória.
Pesquisa e Curadoria
A seleção de conteúdo para a exposição envolveu uma extensa pesquisa ao longo de um ano, com consultas a acervos públicos e privados de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Entre as instituições consultadas estão a Academia Mineira de Letras, o Arquivo Público Mineiro e a UFMG. Gabriela Santoro, diretora de projetos da Coreto Cultural e responsável pela curadoria, relata que o principal desafio foi lidar com a quantidade de informações disponíveis. “Apesar de restringir um pouco o foco, o volume de dados era vasto. Precisamos filtrar o que era mais relevante, considerando a rica história do Palácio e dos personagens ligados a ele”, explica.
O recorte adotado na curadoria se concentra nas áreas de maior movimentação do Palácio, conversando diretamente com as personalidades que dão nome a suas salas e galerias. Gabriela aponta que, ao longo do próximo ano, o projeto será expandido para incluir as salas dos corpos estáveis do Palácio, podendo atingir outras instituições culturais da cidade. “É fundamental promover uma reflexão sobre a política de memória da cidade, que precisa ser mais bem estruturada e continuada”, conclui.
Um Centro Cultural em Transformação
Marconi Drummond, artista plástico e colaborador na curadoria, ressalta que a exposição “Espaço, memória, cultura e patrimônio” reafirma o Palácio das Artes como um centro cultural em contínua transformação. “Revisitar essas memórias e oferecer novos olhares sobre os contribuintes para a construção desse patrimônio é essencial”, diz Drummond. Ele acredita que a mostra convida o público a se reconhecer como parte desta rica história da cultura mineira, unindo o passado à modernidade e à identidade de Belo Horizonte e Minas Gerais.
