Celebrando a Cultura Afro-Brasileira
Em São Luís, no dia 8 de março, o Festival Falas do Matriarcado ocupará o centro das atenções ao celebrar o protagonismo feminino nas religiões de matriz africana. O evento, que reúne mães de santo, lideranças religiosas e comunidades tradicionais, é um espaço dedicado à memória, resistência e à preservação dos saberes ancestrais.
Entre os terreiros que marcarão presença, destaca-se a Casa Fanti-Ashanti, uma das instituições mais tradicionais do Tambor de Mina e Candomblé na capital maranhense. Situada no Cruzeiro do Anil, essa casa é reconhecida por sua contribuição na preservação das práticas afro-brasileiras no estado.
Uma Tradição que Resiste
A Casa Fanti-Ashanti, fundada em 1954 por Pai Euclides de Menezes, construiu um legado que se entrelaça com diversas ritualísticas. O local reúne influências do Tambor de Mina, Candomblé, Samba Angola e práticas de pajelança, além de celebrações ao Divino Espírito Santo. Um dos rituais mais emblemáticos é o Baião de Princesas, dedicado às entidades cultuadas dentro dessa tradição.
Hoje, o terreiro é guiado por Mãe Kabeca, que dá continuidade ao trabalho de Pai Euclides. Mãe Kabeca será uma das importantes lideranças presentes no festival, reforçando o papel das mulheres na manutenção e transmissão dos saberes ancestrais.
Maranhão: Berço do Tambor de Mina
O Maranhão é amplamente reconhecido como o berço do Tambor de Mina, uma das expressões mais significativas das religiões afro-brasileiras. Essa tradição se originou com a chegada de pessoas escravizadas do antigo Reino do Daomé, hoje conhecido como Benim. Ao longo do tempo, o culto aos voduns e a estrutura matriarcal foram fortalecidos por mulheres que, apesar de existirem reconhecidos pais de santo, sustentaram os terreiros e asseguraram a transmissão dos conhecimentos entre gerações.
Um Encontro das Matriarcas
Com ênfase no protagonismo feminino, o festival contará com o 1º Encontro das Grandes Matriarcas do Tambor de Mina de São Luís. O evento promoverá rodas de conversa, celebrações e intercâmbios de experiências entre as lideranças presentes. O encontro acontece no Portal de Encantaria, localizado na Rua Boa Esperança, 40, Vila Nova, a partir das 9h.
A proposta é transformar o dia em um momento de reconhecimento público dessas mulheres que mantêm viva a tradição, fortalecendo a identidade, religiosidade e cultura popular da comunidade. Esse espaço valorizado é de suma importância para a visibilidade das matriarcas, muitas vezes invisibilizadas na história.
Apoio Cultural e Valorização Histórica
O projeto é uma realização da Set Filmes, em colaboração com o Ylê Axé Onilê Orixá Portal de Encantaria e a Dupla Criação. O festival conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, do Ministério da Cultura, e o apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão, através do Edital 004/2025 UGCAD/SECMA.
Mais do que apenas um evento religioso, o Festival Falas do Matriarcado se apresenta como um importante ato de valorização histórica. É um espaço para celebrar aquelas que, ao longo de décadas, sustentaram a espiritualidade e a rica memória da cultura afro-maranhense.
