O Voo do HANBIT-Nano
O HANBIT-Nano, primeiro foguete comercial a ser lançado do Brasil, teve sua decolagem acompanhada por uma transmissão ao vivo que durou pouco mais de um minuto. Durante esse curto período, o veículo espacial chegou a atingir Mach 1, a velocidade em que um objeto supera a velocidade do som. A transmissão exibiu imagens de duas câmeras posicionadas nos estágios do foguete, capturando momentos importantes da ascensão. Contudo, logo após alcançar a fase conhecida como MAX Q – quando a força aerodinâmica atinge sua máxima intensidade – a conexão foi interrompida pela Innospace, deixando o destino do foguete incerto.
A missão do foguete, que envolvia equipamentos científicos e tecnológicos para pesquisa, teve um desfecho inesperado. Após a decolagem, o voo do HANBIT-Nano foi interrompido aos poucos, resultando em uma explosão e a queda dos destroços em uma área de Basse. a equipe da Força Aérea Brasileira (FAB) e o Corpo de Bombeiros foram acionados para inspecionar os restos do foguete e a região afetada pela colisão.
Aspectos Técnicos do Foguete
O HANBIT-Nano possui uma altura de 21,9 metros, peso de 20 toneladas e diâmetro de 1,4 metro. Para se ter uma ideia, sua altura é equivalente a de um edifício de sete andares. Além disso, o foguete tem a capacidade de voar a uma velocidade de até 30 mil km/h, o que significa que pode ser até 30 vezes mais rápido que um avião comercial. Seu peso é comparável ao de quatro elefantes africanos, o que demonstra a robustez da estrutura.
A missão, batizada de Spaceward, é resultado de uma colaboração entre a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Agência Espacial Brasileira (AEB). O principal objetivo era o lançamento de cinco satélites e três dispositivos que vão auxiliar em pesquisas desenvolvidas por instituições do Brasil e da Índia, abrangendo mais de cinco áreas distintas.
A Base de Lançamento de Alcântara
O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), construido na década de 1980, está situado na costa do Maranhão e é valorizado por suas características geográficas favoráveis. Entre as vantagens, destaca-se a proximidade com a linha do Equador, que reduz o consumo de combustível durante os lançamentos. Além disso, a localização oferece uma longa extensão de litoral e uma baixa densidade de tráfego aéreo, o que facilita as operações.
Quanto menor a latitude, melhor é considerado o local para lançamentos espaciais, pois a velocidade da rotação da Terra é maior na linha do Equador. Isso significa que menos combustível é necessário para levar o foguete ao espaço, além de reduzir o tempo de viagem até a órbita.
Desafios e Oportunidades
Apesar de suas vantagens, a base de Alcântara enfrentou um longo período de subutilização, devido a uma série de fatores, incluindo um grave acidente há mais de 20 anos. Esse trágico evento, que culminou na explosão de um protótipo de foguete VLS-1, resultou na morte de 21 civis. O acidente, que ocorreu durante os ajustes finais do dispositivo, teve um impacto significativo nas operações espaciais brasileiras, levando a uma redução das atividades no CLA a partir de 2003.
Em relação ao mais recente lançamento, a Agência Espacial Brasileira (AEB) informou que a Innospace estabeleceu um acordo de prestação de serviços com o Governo Brasileiro, com um valor mínimo para retribuição ao Estado, sem previsão de lucros. Essa parceria representa um passo importante para o avanço do Brasil no mercado espacial, mesmo diante dos desafios históricos enfrentados pela base de Alcântara.
